Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Brasília, terça-feira, 1º de setembro. André Mendonça derruba o segredo de justiça e 218 páginas da Polícia Federal caem na mesa do país. Em 190 delas, um nome: Alexandre de Moraes. As mensagens são de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso quando embarcava num jato para Dubai. O Passageiro de Dubai. Na véspera, escreveu ao ministro perguntando se havia chance de acontecer na manhã seguinte.
A JOGADA
Todo mundo olhou para o relatório. A jogada não estava no relatório. Estava na ordem das coisas.
Mendonça sabia o que vinha: pedido de nulidade. Sabia quem viria com ele. E sabia como esse tipo de coisa costuma morrer — despacho curto, sexta à noite, gaveta, silêncio.
Então ele inverteu a fila. Tirou o sigilo ANTES do parecer. E escreveu, no mesmo despacho, que levaria o caso ao Plenário mesmo que a PGR fosse contra.
Horas depois, a PGR foi contra.
Tarde demais. O país já tinha lido.
ANULAR O PAPEL NÃO ANULA O QUE O BRASIL JÁ VIU
Quem pediu para rasgar o documento está escrito no documento: Paulo Gonet, o Homem Escrito no Documento. Nas conversas, o Passageiro sugeria que Moraes interferisse na PGR e na Polícia Federal. E o filho do procurador aparece numa viagem a Londres bancada pelo banqueiro.
A tese dele é o básico do manual: juiz não investiga por conta própria. Está certo. Só que o próprio Supremo abriu o Inquérito 4.781, o das fake news, sem pedido da PGR, esticando um artigo do regimento interno da casa. Ali o limite não existia. Ali ninguém pediu nulidade nenhuma.
Não é defender ilegalidade com ilegalidade. É cobrar coerência. Se a regra vale hoje, valia ontem.
A ESCADA
Véspera da prisão: o Passageiro pergunta ao ministro sobre a "manhã seguinte".
Dia seguinte: preso a caminho de Dubai.
1º de setembro, antes do parecer: Mendonça derruba o sigilo e anuncia o Plenário.
1º de setembro, à noite: a PGR pede a anulação.
Nada está julgado. O Plenário ainda pode anular tudo. Só que agora anula na frente do país, com cada voto de nome, cara e câmera ligada.
Genial não é ganhar a discussão. É escolher a sala onde ela vai acontecer.
EM CIMA DA MESA
Ao Homem Escrito no Documento: por que o limite constitucional nasceu justo na página em que o senhor aparece?
Ao Passageiro de Dubai: que manhã seguinte era aquela?
E a conta desse circo é sua, que não voa de jato nem manda mensagem para ministro.
O Estado cresce quando VOCÊ empobrece.
NogNews


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