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A PAZ FOI SELADA. ADIVINHA NA CASA DE QUEM?

Dois ministros do STF intermediaram a paz entre Lula e Alcolumbre — e o jantar aconteceu na casa de um deles.

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Quarta-feira, 12 de agosto. Palácio da Alvorada. Lula recebe Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Duas horas de conversa. Também na sala: José Guimarães, ministro de Relações Institucionais, e Teresa Leitão, líder do governo no Senado. Segundo Guimarães, a relação está restabelecida.

A briga tinha nome. Abril de 2026. Lula indicou Jorge Messias, advogado-geral da União, para o STF. O Senado derrubou. Alcolumbre defendia outro nome e não trabalhou pela escolha do presidente. Ruptura.

Agora esquece por um segundo quem é Lula. Esquece quem é Alcolumbre. Olha só pra sequência:

O encontro de hoje foi continuação de um jantar da terça-feira passada, dia 4. Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, do STF, intermediaram a aproximação entre o chefe do Executivo e o chefe do Legislativo. E o jantar aconteceu na residência de um deles.

Esse é o fato. A conta, quem faz é você.

E tem a outra metade, que canal nenhum vai te contar porque não dá engajamento: diálogo entre Poderes não é anomalia, é função. Presidente conversa com Congresso — isso é o trabalho, e quando não acontece o país trava. A pauta discutida é banal e é pública: PLP 114, PEC da Segurança, fim da escala 6x1, minerais críticos, seis medidas provisórias. Segundo os presentes, o nome de Messias nem foi tocado hoje. E não há acusação de ilegalidade em lugar nenhum dessa história.

Só que a pergunta não é sobre a pauta. É sobre o endereço.

Porque a Constituição não separou os Poderes por capricho de redação. Separou porque um precisa poder julgar o outro — e quem ajuda a fechar o acordo carrega, dali em diante, o peso de ter ajudado. Não por má-fé. Por geometria.

É aí que nasce o precedente. Hoje foi jantar de reconciliação, coisa simpática, quase gentil. Amanhã é uma indicação que precisa passar. Depois é uma pauta que precisa travar. Depois é um processo que precisa esperar. Ninguém apresenta o desequilíbrio pela pior versão dele. Apresenta pela melhor: como diálogo.

E onde é que isso para? Aí está o problema. Onde termina a mediação institucional e começa a atuação política? Essa fronteira não está escrita numa placa na porta. Não tem ata pública, não tem registro obrigatório, não tem critério divulgado. Tem uma sala de jantar e a palavra de quem estava lá.

E isso desce. Chega no seu processo que trava três anos. Na sua empresa que espera liminar. No imposto decidido por canetada que ninguém elegeu. Você nunca vai ver o jantar. Você só vai ver a conta.

O acordo foi feito na casa do juiz. E quando a próxima briga chegar — porque elas sempre chegam — a pergunta vai ser inevitável: o dono da casa ainda vai ser visto como árbitro?

TRIBUNAL DO LEITOR

Agora, decida você mesmo.

Depois de analisar os fatos apresentados nesta matéria, qual é o seu veredito?

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