Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
A três dias do primeiro turno, o barco de Lula começa a fazer água pelo lado que ele sempre achou que era seguro: o Centrão.
Segundo a revista Oeste, o União Brasil decidiu apoiar Flávio Bolsonaro, do PL, num eventual segundo turno contra Lula. Quem toca o jogo é o presidente da sigla, Antônio Rueda. O plano não é de gabinete, é de rua: botar prefeitos, deputados e a máquina inteira do partido pra trabalhar pelo candidato do PL.
E isso não caiu do céu. Vinha sendo costurado nas últimas semanas, em silêncio, de porta fechada.
QUEM ESTÁ NA MESA
De um lado, Flávio Bolsonaro. Do outro, Rueda. E um terceiro nome que pesa: Ciro Nogueira, presidente do Progressistas.
O PP e o União Brasil formam juntos a Federação União Progressista. São duas siglas e uma bancada só. E o PP já aparece apontado como inclinado a anunciar apoio ao senador depois do primeiro turno. É informação da Oeste, e o apoio vale pra um eventual segundo turno. Ninguém assinou nada em cartório. Mas fumaça dessa altura costuma ter fogo embaixo.
O QUE ISSO VALE
Não é partidinho de esquina. As duas siglas juntas reúnem uma bancada expressiva no Congresso e uma rede enorme de prefeitos e vereadores.
Prefeito é quem está na porta do eleitor. Vereador é quem sabe o nome da rua, da dona Maria e do cabo eleitoral. Segundo turno não se ganha só em estúdio de TV. Ganha-se na esquina, no bairro, no boca a boca. E a esquina, no Brasil, tem dono: o Centrão.
O MOVIMENTO NÃO É SÓ DE UM PARTIDO
Esse apoio amplia o arco em volta de Flávio. E mostra que setores do centro político já discutem uma convergência em torno da candidatura do senador pra enfrentar Lula na etapa decisiva.
Traduzindo: não é um partido que mudou de lado. É o centro começando a sentar na mesma mesa.
E AGORA, QUEM PAGA?
Eu pergunto, com todas as letras: o que o brasileiro que paga o boleto tem a ver com isso?
Tem tudo. Porque Centrão não escolhe lado por amor. Escolhe por faro. E faro de Centrão cheira poder a quilômetros. Enquanto o governo conta voto no primeiro turno, o Centrão já está medindo a cadeira do segundo.
E você, que enfrenta a fila do mercado e olha o preço na gôndola, merece saber quem está se mexendo por trás do palanque. Porque no fim da noite quem decide o jogo não é o discurso. É a estrutura.
EM CIMA DA MESA
Pra Lula: quem vai atender o telefone de Rueda e de Ciro Nogueira antes do dia 4?
Pra Rueda: qual a data do anúncio oficial, e quantos prefeitos vão subir no palanque?
Pra Flávio: o que foi combinado nessas conversas, e o que o eleitor vai ouvir antes de votar?
Centrão não abandona o poder. Abandona quem está perdendo ele.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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