Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje!
Segunda-feira, 15 de janeiro de 2024. Onze e quatro da noite.
Um arquivo é aberto e alterado. O perfil que assina a edição no sistema tem nome: "Ministro Alexandre de Moraes". Uma hora e quarenta minutos antes, o mesmo documento tinha voltado das mãos de Daniel Vorcaro. Oito dias depois o contrato foi assinado: R$ 3,6 milhões por mês, trinta e seis meses, R$ 131 milhões para o escritório da mulher do ministro.
Onze e quatro da noite. Guarde esse horário. Ele volta no fim.
"O CARECA NÃO PODE ATRASAR"
Era assim que o ministro aparecia nas conversas internas do banco, segundo a Polícia Federal. Careca. Em março de 2024, um interlocutor cobrou o pagamento com essa frase — e o dinheiro saiu na sequência. Em julho de 2025, uma fatura de R$ 22,8 milhões veio com ordem interna para pagar "sem nota", "do jeito que for". Era, escreveram, o pagamento mais importante que tinham.
Dados da Receita entregues ao Senado: o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do Master.
O escritório diz que apenas consultou o ministro sobre impedimento legal e que ele jamais julgou causa do banco. É a versão da parte. Ela não explica por que quem foi consultado sobre impedimento acabou mexendo no texto do contrato.
A ESCADA
7 de novembro de 2023: a defesa de Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, protocola pedido de prisão domiciliar por problemas de saúde. A PGR já era favorável à soltura desde agosto.
20 de novembro de 2023: Clezão morre na Papuda, aos 46 anos. A petição nunca foi analisada. Treze dias parados na mesa.
15 de janeiro de 2024, 23h04: o contrato de R$ 131 milhões é editado pelo perfil do ministro, uma hora e quarenta minutos depois de chegar.
Julho de 2025: o Master recebe ordem interna para quitar R$ 22,8 milhões "sem nota".
7 e 16 de julho de 2025: o ministro revoga a domiciliar de Iraci Nagoshi, 72 anos, e Vildete Guardia, 74, por falhas de tornozeleira. Escreve que elas demonstram "completo desprezo" pela Suprema Corte.
Outubro de 2025: o escritório pede cartões do Master para os dois filhos do ministro, limite de R$ 300 mil cada. Vorcaro responde: "ok". O escritório confirma a emissão e nega o uso.
15 de novembro de 2025: Vorcaro escreve ao contato salvo como "Alexandre de Moraes BRASILIA": "Acha que segunda já tenho que estar fora?" As respostas do outro lado foram apagadas.
1º de setembro de 2026: André Mendonça derruba o sigilo do relatório. 3 de setembro: Moraes pede a Fachin investigação contra Mendonça.
OS DOIS RELÓGIOS
Repare no tempo. Só no tempo.
A petição de um homem doente esperou treze dias e não foi lida. O contrato da esposa foi lido, editado e devolvido em uma hora e quarenta minutos, às onze da noite.
Uma professora aposentada de 72 anos voltou para a cela por bateria descarregada. Um banqueiro perguntou se precisava sumir do país — e o que veio depois sumiu da tela.
Não é o mesmo relógio. Nunca foi.
QUEM PAGA A CONTA
O Master quebrou e o rombo caiu no Fundo Garantidor de Créditos e no BRB, banco público. Carteira podre trocada por dinheiro que é de todo mundo.
Do mesmo banco saíram R$ 80,2 milhões para um escritório de advocacia. Se essa conta não fechar, ninguém em Brasília devolve salário. Você é que não vê o dinheiro voltar.
EM CIMA DA MESA
Ao Careca: por que o marido da sócia precisou editar a última versão do contrato, se a consulta era só sobre impedimento legal?
Ao escritório Barci de Moraes: por que os cartões dos filhos do ministro foram pedidos justamente ao cliente que pagava R$ 3,6 milhões por mês?
À Corte: sete anos de Inquérito das Fake News para chegar exatamente aqui?
O Brasil inteiro pede senha, tira ficha e espera anos por uma audiência. Lá em cima o expediente vai até as onze da noite — para quem paga por mês.
A verdade não pede licença.


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