Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje!
Sexta-feira, 4 de setembro. Oito da manhã. Sai a informação de que a presidência do Supremo estuda empurrar para depois das urnas a discussão em plenário sobre a crise da Corte.
Não é arquivamento. Não é absolvição. É calendário.
E calendário, em Brasília, é a arma que não deixa impressão digital.
O QUE ESTÁ SENDO EMPURRADO
1º de setembro de 2026: o Homem que Abriu o Envelope derruba o sigilo do relatório da PF sobre as mensagens entre o dono do Banco Master e o gabinete de Moraes, e pede sessão pública do plenário. No mesmo dia, o Dono da Gaveta manda o diretor-geral da Polícia Federal lhe entregar relatórios que citam ministros. A polícia entrega.
3 de setembro de 2026: Moraes usa o Inquérito das Fake News para apontar improbidade, abuso de autoridade e crime de responsabilidade do colega. Horas depois, Fachin transforma o relatório em petição e dá cinco dias úteis para Moraes, Mendonça, Gonet e o chefe da PF explicarem.
4 de setembro de 2026: a mesma presidência avalia deixar o plenário para depois de outubro.
Cinco dias para responder. Semanas para não decidir.
A ESCOLHA QUE O SUPREMO NÃO QUER FAZER
O jornalista William Waack cravou o dilema: a Corte vai ter de escolher, aos olhos de boa parte do país, entre punir quem levantou o sigilo da podridão exposta pela Polícia Federal ou proteger quem aparece no meio dela.
Duas portas. Uma escolha feia dos dois lados.
Só que apareceu uma terceira porta, e ela não estava na mesa: não escolher agora.
Adiar não é neutro. Adiar é decidir que o eleitor não precisa saber antes de votar.
SEM PRECIPITAÇÃO
Foi a palavra que o próprio presidente do STF usou: as medidas viriam "sem precipitação".
Repare o tamanho da palavra na boca de quem a diz.
Quando é o cidadão comum, o Estado não conhece essa palavra. O aposentado é descontado sem precipitação nenhuma. O contribuinte é notificado no prazo. O sujeito que xingou ministro em rede social viu a polícia bater na porta em questão de dias.
Agora é ministro contra ministro, e o relógio de Brasília descobre a serenidade.
O QUE ISSO CUSTA A VOCÊ
Pensa no que está dentro dessa gaveta que vai ficar fechada até novembro.
Está o desconto na aposentadoria de quem trabalhou a vida inteira. Está a carteira podre empurrada para um banco público, que é dinheiro seu. Está a pergunta sobre se o ministro que decide o país tinha canal aberto com um banqueiro preso.
E está o seu voto. Você entra na cabine em outubro. Você aperta o botão. Você escolhe quem vai governar quatro anos. E faz tudo isso sem que o tribunal que manda no processo eleitoral tenha dito uma palavra sobre a própria crise.
Você vota no escuro. Eles acendem a luz depois.
Não é que a resposta não exista. É que a resposta tem hora marcada — e a hora é depois que você já não puder fazer nada com ela.
EM CIMA DA MESA
Ao presidente do Supremo: se o assunto é grave o bastante para dar cinco dias de prazo, por que não é grave o bastante para pautar antes de outubro?
Ao Dono da Gaveta: quantas decisões suas contra cidadãos comuns esperaram o fim de uma eleição?
Ao plenário: os onze vão mesmo entrar no recesso eleitoral com esse relatório em cima da mesa?
Nada disso está decidido. É avaliação, é bastidor, e pode mudar até segunda-feira. Mas já saiu do gabinete — e em Brasília o que vaza costuma ser o que se pretende fazer.
O Supremo tem pressa quando o processo é dos outros. Nesse, o calendário virou toga.
A verdade não pede licença.


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