Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Quinta-feira, 1º de outubro. O debate da Globo está marcado para as 21h30. Luz acesa. Cenário pronto. No palco, os púlpitos com os nomes de Lula e de Flávio Bolsonaro.
De tarde, o TSE manda a Globo esconder o púlpito vazio de Lula. Mais tarde, Flávio avisa que também não vai. O motivo dele: o que chama de censura imposta ao evento pelo tribunal. Prometeu mais detalhes em breve.
Repara no placar. O candidato do PT falta porque quis. O candidato do PL falta porque, diz ele, o tribunal mexeu no debate. Dois púlpitos sem dono, a três dias da eleição.
A ESCADA DE HOJE
Na tarde de quinta: a ministra Estela Aranha, do TSE, decide que a Globo não pode mostrar o púlpito vazio de Lula. Decide também que os candidatos presentes não podem fazer pergunta direta a ele sem chance de resposta.
Na mesma tarde: segundo a coluna de Andreza Matais, no Metrópoles, o ministro Gilmar Mendes deve atender a um pedido de Renan Santos e obrigar a Globo a incluí-lo no debate.
Antes das 21h30: Flávio desiste. A campanha dele entende que o Judiciário ditar as regras do debate equivale a censura.
QUEM JÁ FEZ ISSO ANTES
Em 2018, o pai dele também faltou ao debate da Globo, três dias antes da eleição. Disse que não podia ir por causa da condição médica e deu uma entrevista na Record, no mesmo horário. Os adversários acusaram o então candidato de fugir da discussão. Lula, em 2006, já tinha faltado ao debate da Globo. Cadeira vazia em debate da Globo não é novidade. A novidade é o tribunal entrar no meio.
EM CIMA DA MESA
Pro Flávio: se a regra era o problema, por que não ir e denunciar no ar, na frente de milhões? Pra ministra: se a regra era proteger a isonomia, por que o debate fica sem um candidato? Pro Lula: por que o candidato que falta é justamente o protegido da cadeira?
O QUE NINGUÉM ESTÁ VENDO
Quem falta ao debate não responde. Quem falta não ouve. Quem falta não se explica. Quem fica sem é o eleitor. Sem confronto. Sem resposta. Sem ver a cara de quem quer o Planalto.
Um fala em agenda. Outro fala em censura. O tribunal fala em isonomia. Cada um com o seu dicionário. Mas o resultado é um só. Aí o brasileiro vai pra urna no domingo sem ter visto os dois frente a frente.
E tem o xadrez por baixo do tapete. A cadeira vazia de Lula era a imagem que a oposição ia usar a noite inteira. O TSE tirou a peça do tabuleiro. Segundo a coluna, sem esse púlpito Flávio perde a chance de bater no concorrente do PT e ainda encontra um Renan Santos mais agressivo. Cada decisão tirou uma peça da mesa. Só que quem sai do tabuleiro não ganha o jogo. Entrega a mesa pra quem ficou.
Dois púlpitos vazios. Um país cheio de pergunta.
O Estado cresce quando VOCÊ empobrece.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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