Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Domingo, 27 de setembro. Brasília. Enquanto o Brasil almoçava, o Supremo trabalhava.
Flávio Dino, ministro do STF, assinou a decisão que derrubou a ordem do TSE contra a mentira da semana. Na véspera, estava na festa de casamento do filho de Moraes.
Faltam sete dias para o primeiro turno. Daqui pra frente ele é o Ministro do Domingo.
A MENTIRA
Durante a semana, espalharam nas redes que grupos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro queriam tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A história viralizou depois da fala de um comentarista da GloboNews, que corrigiu o que disse no mesmo dia. Flávio nega.
O projeto existe, mas é de 2007. Foi apresentado pelo então deputado Victório Galli e arquivado em 2008. Não há registro de Flávio nele.
UMA MENTIRA COM 19 ANOS DE ATRASO.
A ESCADA
Sexta, 25 de setembro, de manhã: Flávio entra com uma representação no TSE.
Sexta, 25 de setembro: André Mendonça, vice-presidente do TSE, classifica a história como notoriamente inverídica. Manda X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube removerem as publicações. Eram quase 300.
No meio disso: o X derruba um post do humorista Antonio Tabet. O post dizia que "a família miliciana" tinha atacado Nossa Senhora Aparecida. Não citava nome, mas todo mundo entendeu de quem ele falava.
Sábado, 26 de setembro: o Ministro do Domingo brinda na Casa Fasano.
Domingo, 27 de setembro: o Ministro do Domingo cassa a decisão. Manda as plataformas restabelecerem tudo, e não só o post de Tabet: todos os que caíram pelo mesmo fundamento. Tabet comemora e publica de novo.
O processo ainda esperava votação no plenário do TSE. Não deu tempo, porque o domingo chegou antes.
O HOMEM QUE MUDOU DE IDEIA
Agora o Ministro do Domingo diz que tirar post é "censura prévia". Diz que excesso se corrige com retratação ou direito de resposta. Diz que a ordem de Mendonça não tinha motivação nem proporcionalidade.
Bonito. Só que é o mesmo Flávio Dino que, como ministro da Justiça de Lula, defendeu o PL das Fake News e subiu o tom contra as plataformas.
É também o mesmo Flávio Dino que processou Jair Bolsonaro por calúnia por causa de uma frase dita numa entrevista.
Quando a palavra é sobre ele, é crime. Quando a mentira é contra um Bolsonaro, é liberdade.
A RÉGUA MUDA CONFORME O SOBRENOME.
AGORA OLHA O TABULEIRO
Quem não vê o jogo acha que foi uma decisão sobre um humorista. Não foi.
O caso só chegou ao gabinete de Dino porque a defesa de Tabet usou uma decisão anterior do próprio Dino, contra o TRE do Paraná, pra "ampliar os efeitos". A porta estava aberta antes de alguém bater.
Entrou um post e saíram quase 300.
Veja o relógio. A correção de uma mentira anda de bicicleta, e a mentira anda de jatinho. Com uma semana até a urna, o desmentido não alcança ninguém. O post alcança milhões.
E ainda vem com o selo do Supremo: "liberado pelo STF". Pro eleitor que vê no celular, isso soa como "verdade confirmada".
O Ministro do Domingo não escreveu a mentira. Ele só devolveu a mentira à estrada, com a pista livre.
QUEM PAGA ESSA LAMA? VOCÊ.
É você que teve post derrubado por muito menos. É você que ouviu durante anos que desinformação destrói a democracia. É você que vai votar domingo sem saber o que é verdade no seu feed.
E é você, católico, que viu a sua santa virar munição de campanha.
EM CIMA DA MESA
Ao Ministro do Domingo: a liberdade de expressão vale pra todo mundo ou só vale contra os Bolsonaro?
Ao ministro da Justiça que ele foi: o que aconteceu com o combate às fake news?
Ao STF: por que não esperar o plenário do TSE, a sete dias da eleição?
A Tabet: e se a mentira fosse sobre você?
No sábado houve champanhe. No domingo, a fake news ganhou alvará.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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