"Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer." — Gilmar Mendes, pelo X, num sábado à noite
Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje!
Na capa: o homem que se nomeou supervisor da eleição alheia.
Sábado, 19 de setembro, noite em Brasília. Quinze dias antes da urna abrir, o celular do ministro Gilmar Mendes acende e publica um artigo inteiro no X. Não é voto. Não é decisão. Não é processo. É recado.
Gilmar Mendes, decano do Supremo, nomeado em 2002, doravante O SUPERVISOR, escreveu que o maior perigo da eleição de 2026 não mora no hacker, não mora no estrangeiro, não mora no WhatsApp da tia. "Vem de dentro". De dentro do TSE.
E quem está dentro do TSE hoje? Na presidência, Kassio Nunes Marques. Na vice, André Mendonça. Os dois indicados por Jair Bolsonaro. Os dois que vão comandar a eleição de 4 de outubro.
O Supervisor não citou nomes. Nem precisou.
O RECADO QUE CHEGOU COM ENDEREÇO
O artigo tem três degraus, e cada um é mais alto que o anterior.
Primeiro, o diagnóstico: o TSE corre risco de "politização".
Segundo, a sentença: quem politiza deve "avaliar" se tem condição de continuar sentado lá. Tradução pra quem pega ônibus: pede pra sair.
Terceiro, o martelo: partidos e Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar e pedir a suspeição dos ministros. E, se ninguém resolver, o Supremo continuará como "instância de supervisão", intervindo sempre que achar necessário.
Instância de supervisão. Guarde essa expressão. É daí que nasce o apelido.
A ESCADA
15 de setembro de 2026: no plenário do Supremo, na sessão sobre as mensagens de Moraes com Vorcaro, o Supervisor acusa Mendonça de agir com viés político-eleitoral.
19 de setembro de 2026: quatro dias depois, o mesmo Supervisor publica que o perigo da eleição "vem de dentro" do TSE, justamente a corte onde Mendonça é vice-presidente.
4 de outubro de 2026: primeiro turno. A eleição que o Supervisor promete supervisionar.
25 de outubro de 2026: segundo turno, se houver.
Uma crítica pode ser opinião. Uma acusação no plenário, seguida de um artigo pedindo afastamento, seguida de uma promessa de intervenção, a quinze dias da urna, já não é opinião. É ESCALADA.
O JUIZ QUE QUER APITAR O JOGO DOS OUTROS
A Caravana do NogNews, grupo impávido, perspicaz e intemerato, foi conferir a Constituição. E lá está, preto no branco: quem organiza e julga a eleição é a Justiça Eleitoral. O TSE. Não o gabinete do decano.
O Supervisor diz que defende a imparcialidade. Pode ser. Mas é curioso o homem que pede pra corte eleitoral ser "apartidária" começar pedindo a cabeça justamente dos dois ministros que o outro lado indicou.
É como o técnico do time adversário entrar em campo no intervalo e dizer que o problema do jogo é o juiz. E que, se o juiz não sair sozinho, ele mesmo vai apitar.
O QUE ISSO CUSTA PRA VOCÊ
Você não escolhe ministro. Você não vota no TSE. Você não tem conta no X com milhões de seguidores.
Você tem um título de eleitor. E um domingo, 4 de outubro, pra usar.
Se quem manda na eleição pode ser empurrado pra fora a doze dias do voto, por recado de rede social, então o seu voto vai ser contado por quem sobrar. Por quem o Supervisor aprovar.
EM CIMA DA MESA
Ao Supervisor: se o risco "vem de dentro", por que o senhor não diz o nome de quem está dentro?
Ao presidente Nunes Marques e ao vice Mendonça: os senhores vão "avaliar" se ficam, ou vão avisar ao Supervisor que a cadeira não é dele?
Em 2002, deram a Gilmar uma toga. Em 2026, ele quer também a urna.
A VERDADE NÃO PEDE LICENÇA.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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