"O remédio não é prêmio pra quem é relaxado", disse o presidente há 6 meses. Agora o prêmio tem data marcada: 4 de outubro.
Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Quinta-feira, 17 de setembro. Montes Claros, Minas Gerais. Lula sobe ao palco da Eurofarma e anuncia: as canetas emagrecedoras vão chegar de graça pelo SUS. Horas depois, a promessa vira post oficial. Boné do SUS, arte azul e amarela e, no rodapé, em letra de bula: propaganda eleitoral.
Luiz Inácio Lula da Silva, daqui pra frente o Fiscal da Rabada, é o mesmo homem que, 6 meses atrás, negou essa caneta na cara de quem pediu.
E humilhou quem precisava dela.
A ESCADA
13 de março: Hospital do Andaraí, Rio. O prefeito Eduardo Paes pede a caneta no SUS. O Fiscal da Rabada nega e manda o povo "tirar a bunda da cadeira". Ainda faz o cardápio do pobre: 4 rabadas, 3 feijoadas, 1 quilo de torresmo. E carimba: remédio não é prêmio pra relaxado.
Uma semana depois: cai a patente da semaglutida no Brasil. A caneta fica barata.
Setembro: o próprio Ministério da Saúde admite que o preço caiu de R$ 2 mil pra R$ 300, R$ 400 na farmácia.
17 de setembro: 17 dias antes da eleição, a caneta vira promessa. No mesmo discurso, ele solta: "daqui a pouco vai ter deputado jogando caneta pro povo".
Reclamou do que ele mesmo fazia. No palco que ele mesmo montou.
O TAMANHO DA PROMESSA
Tira o boné e olha o papel. O estudo que sustenta o anúncio acompanha 250 pacientes. Num hospital só, em Porto Alegre.
Calendário de entrega? Não existe. Nome do remédio? Não existe. Quem tem direito? Não existe. O protocolo ainda está sendo escrito.
250 pacientes. Num país onde 31% da população vive com obesidade.
ISSO NÃO É POLÍTICA DE SAÚDE. É PANFLETO COM AGULHA.
A patente caiu em março. O preço caiu em março. O Fiscal da Rabada teve 6 meses pra agir e não agiu. Esperou o relógio da urna. A caneta não chegou quando ficou barata. Chegou quando ficou útil.
EM MARÇO, O POBRE ERA RELAXADO. EM SETEMBRO, É ELEITOR.
E quem paga a conta é você.
É a mãe que pega 3 ônibus pra marcar consulta. Que vê a caneta no celular e vai ao posto pedir. Que ouve da atendente que "ainda não chegou". Que volta pra casa sem remédio, sem médico e sem resposta.
Mas já votou.
EM CIMA DA MESA
Ao Fiscal da Rabada: se não é eleitoral, por que o calendário não sai antes do dia 4?
Ao ministro Alexandre Padilha: quantas canetas chegam ao posto até 31 de dezembro? Número. Não slogan.
O NogNews vai voltar a essa pauta no dia 5 de outubro, o dia depois da urna, pra ver se a caneta chegou ou se sumiu junto com o palanque.
Em março, o remédio não era prêmio pra relaxado. Em setembro, virou brinde pra eleitor. E a bula, como sempre, só sai depois da eleição.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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