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MENDONÇA PEDE A FACHIN O AFASTAMENTO IMEDIATO DE MORAES DO SUPREMO

Pedido foi feito na quinta-feira, horas depois de Moraes incluir o colega no Inquérito das Fake News. Mendonça sugeriu que o presidente do STF decida sozinho, em caráter liminar, e leve depois ao plenário para confirmação.

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Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje!

Quinta-feira, 3 de setembro. Nove e trinta e seis da noite. A GloboNews entra ao vivo e a jornalista Natuza Nery conta: um ministro do Supremo acaba de pedir o afastamento de outro ministro do Supremo.

Não é advogado pedindo. Não é partido pedindo. É a toga pedindo a cadeira da toga do lado.

E as duas petições foram parar na mesma mesa. A mesa de Edson Fachin.

DUAS PETIÇÕES, UM ÚNICO DIA

De manhã, o Dono da Gaveta aponta contra o colega improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade — e usa, para isso, o Inquérito das Fake News, aberto em 2019 e do qual ele é o relator.

À noite, o Homem que Abriu o Envelope responde no mesmo endereço: quer Moraes afastado das funções, já, por decisão liminar do presidente.

Um pede investigação do outro. O outro pede a cadeira do primeiro. No mesmo dia, no mesmo tribunal, sobre a mesma mesa.

O Supremo virou um processo em que os onze são parte.

A ESCADA

1º de setembro de 2026: Mendonça derruba o sigilo do relatório da Polícia Federal sobre as mensagens do dono do Banco Master ao gabinete de Moraes e pede sessão pública do plenário. No mesmo dia, Moraes manda o diretor-geral da PF lhe entregar relatórios de inteligência que citam ministros. A polícia entrega.

3 de setembro, de manhã: Moraes aciona o colega dentro do Inquérito 4.781.

3 de setembro, à noite: Mendonça procura Fachin e pede o afastamento cautelar de Moraes. Segundo fontes ouvidas pela Band, sugeriu que a decisão saísse em liminar e fosse ao plenário depois.

3 de setembro, ainda: Fachin transforma o relatório em petição, cobra explicações de Moraes, Mendonça, Gonet e do chefe da PF, e afirma que decidiria "nas próximas horas".

Até o fechamento desta edição, não há registro público de que o afastamento tenha sido concedido. Moraes nega irregularidade.

O HOMEM DA CHAVE

Repare quem sobrou com tudo na mão.

O mesmo presidente que, na quarta, disse que agiria "sem precipitação". O mesmo que, segundo a imprensa desta sexta, avalia empurrar o plenário para depois das eleições. O mesmo que, em janeiro, subiu ao palanque institucional para dizer que Moraes esteve onde precisava estar.

Agora ele decide se um dos dois sai da cadeira.

Não tem terceiro. Não tem sorteio. Não tem recurso rápido. Tem um homem, uma mesa e duas petições.

O QUE ISSO CUSTA A VOCÊ

Enquanto os dois se apontam, quem está no fim da fila continua no fim da fila.

O aposentado que teve desconto no benefício espera. O contribuinte que bancou a carteira podre empurrada para um banco público espera. O sujeito que só quer saber se o tribunal que manda no país tem juiz ou tem torcida também espera.

Você não vai receber um centavo a mais porque um ministro pediu a cadeira do outro. Mas se essas apurações forem anuladas por vício, é o seu dinheiro que não volta.

Eles brigam pela cadeira. Você continua pagando pela cadeira.

EM CIMA DA MESA

Ao Homem que Abriu o Envelope: se o caso é grave a ponto de exigir afastamento imediato, por que a representação foi entregue em conversa, e não em petição pública com fundamento?

Ao Dono da Gaveta: o senhor aceita ser julgado pelo mesmo rito que aplicou a cidadão comum nesses sete anos de inquérito sem fato determinado?

Ao presidente do Supremo: "nas próximas horas" começou quando?

O Brasil inteiro assistiu, ao vivo, uma toga pedir a cadeira da outra. O Supremo não perdeu autoridade nesta quinta-feira. Perdeu a testemunha que ainda acreditava nele.

A verdade não pede licença.

TRIBUNAL DO LEITOR

Agora, decida você mesmo.

Depois de analisar os fatos apresentados nesta matéria, qual é o seu veredito?

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