O governo Lula chega à véspera da campanha com 43% de aprovação, 51% de desaprovação e uma avaliação positiva menor ainda: 36%. Agora começa a parte em que ele vai tentar mudar essa nota. E o prazo é curto.
De 9 a 12 de agosto de 2026. Quatro dias de campo.
2,4 mil entrevistas. 658 municípios. Todos os 27 estados. Margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos. Intervalo de confiança de 95%. Pesquisa registrada no TSE sob o número BR-06868/2026.
Quinta-feira, 13 de agosto. Sai o resultado.
51% desaprovam o governo. 43% aprovam. 6% não souberam responder.
Na avaliação da administração, o número aperta mais: 47% dizem que o governo é ruim ou péssimo. 36% dizem que é ótimo ou bom. 15% dizem que é regular. 1% não soube avaliar. Traduzindo para gente: de cada dez brasileiros ouvidos, cinco desaprovam o governo. Quase cinco dizem que ele é ruim ou péssimo. E menos de quatro acham que ele é bom.
É o boletim voltando para casa. A criança abre o papel na porta da cozinha, olha a nota, e já sabe que vai ter conversa. O governo acabou de abrir o dele. E aí tem o detalhe que quase ninguém olhou.
43% aprovam o governo. Mas só 36% consideram a gestão ótima ou boa. São sete pontos de diferença entre quem aprova e quem avalia bem. Ou seja: aprovar não é a mesma coisa que achar bom.
Fica a pergunta boba: desde quando aprovar virou sinônimo de gostar?
E some a isso os 15% que responderam "regular". Regular não é aplauso. Regular é dar de ombros.
Um governo não perde apoio de uma vez. Perde um pouco por semana, no caixa do mercado, sem alarde. O poder não teme o adversário no palanque. Teme o silêncio de quem votou nele. Primeiro, o que a pesquisa não faz: ela não explica o porquê. Não pergunta o motivo. Mede o resultado. Quem disser que esse número tem uma causa única está vendendo palpite como dado.
Agora o que ela faz.
Ela mostra um governo que, no terceiro ano e meio de mandato, tem 36% de avaliação ótima ou boa. Com todo o aparato de comunicação de um governo federal. Com publicidade oficial. Com anúncio de programa quase toda semana. E, para nós, isso diz alguma coisa sobre a capacidade desse governo de convencer o eleitor.
Na nossa leitura, o problema aqui não é comunicação. É experiência. Propaganda alcança o eleitor por alguns segundos. O preço alcança ele toda vez que ele abre a carteira. E tem uma coisa que o Planalto não controla: a memória de quem faz compra.
Repara na data. O campo foi de 9 a 12 de agosto. Antes do início oficial da campanha, marcado para o dia 16. Antes do horário eleitoral. Antes do palanque. Antes do jingle. Ou seja: essa é a nota do governo antes de o governo começar a se defender.
Aí vem a pergunta que interessa: se essa é a nota com a campanha ainda no vestiário, o que acontece quando o adversário entrar em campo? E se fosse você?
Você não foi ouvido nessa pesquisa. Quase ninguém foi. Mas você não precisa de instituto para saber a sua nota.
Você olha o extrato. Olha o preço da carne. Olha o aluguel que subiu de novo. Olha o boleto da luz. E começa a formar a sua nota sozinho, sem margem de erro, sem intervalo de confiança.E agora vem a parte que ninguém em Brasília vai dizer em voz alta. De agora até outubro, esse governo vai gastar horário nobre, jingle, palanque e dinheiro de publicidade tentando mudar a nota que você já deu.
Não para baixar o preço. Para mudar a sua opinião sobre o preço. Percebem? Enquanto Brasília discute percentual, o país inteiro já respondeu no caixa do mercado.
Cinco em cada dez não estão irritados com um gráfico. Estão irritados com o mês.
O símbolo dessa história não é um gráfico. É um boletim.
O governo foi avaliado, levou a nota e agora vai passar dois meses explicando que a prova estava difícil.
E aqui fica o limite honesto: pesquisa é foto, não é urna. Mede quatro dias de agosto. Outubro ainda não aconteceu, e instituto já errou antes. Mas no mercado ninguém consulta margem de erro. A pessoa olha o preço do arroz e já começa a fechar a conta.
O governo pode discutir a pesquisa. A nota, quem dá é quem paga.


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