Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Segunda-feira, 12 de outubro. Brasília. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autoriza o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro a voltar a visitar o pai, Jair Bolsonaro, depois de 90 dias de proibição. Daqui pra frente, ele é o Ministro do Calendário. Durante três meses, foi o calendário que mandou.
A restrição chegou ao fim sem prorrogação, por falta de fatos novos que justificassem mantê-la. A decisão vem com trava: continuam proibidos encontros de finalidade político-eleitoral e a divulgação de manifestações do ex-presidente por terceiros.
A ESCADA
13 de julho: Flávio publica uma carta de Jair Bolsonaro em que o pai o chama de “porta-voz”. Moraes suspende as visitas por 90 dias. Fala em descumprimento de vedação judicial e em “desvio de finalidade” do direito de visita.
4 de outubro: primeiro turno. Flávio avança e vai enfrentar Lula no segundo.
5 de outubro: a defesa de Bolsonaro pede o fim da restrição, porque “não mais se mostra necessária”. Pede, como alternativa, uma visita única antes do prazo.
11 de outubro: o prazo de 90 dias vence.
12 de outubro: Moraes autoriza a retomada. Não prorroga.
Repara na conta. A decisão que segurou o filho longe do pai atravessou o primeiro turno inteiro. Só terminou depois que o resultado saiu.
O QUE NINGUÉM PROVOU
O “desespero” do título é a ironia da casa. Nenhuma fonte documenta o estado de espírito de ninguém. O que está documentado é que o prazo venceu e o ministro não renovou. Se isso foi cumprimento do calendário ou cálculo político, quem diz é ele.
AGORA É COM VOCÊ, BRASIL
Aí você pensa: “é só uma visita de pai e filho”. Não é, né?
Um preso, um candidato e uma porta. Aí o filho entra. Aí o Brasil inteiro olha pra porta. Aí cada gesto, cada foto, cada palavra que escapar vira prova. E o que vem depois da visita? Esse é o ponto. A proibição de política continua de pé. Proibido o encontro eleitoral. Proibida a fala por terceiros. A porta abriu, a mordaça ficou.
E o Frank Underwood, o que enxerga por baixo do tapete? Que uma suspensão vencida pelo prazo não se renova sem ruído. Renovar com o filho no segundo turno seria o assunto do dia, e o Ministro do Calendário sabe disso. Quem controla o prazo controla o momento da notícia. E agora a regra mudou de lugar: o próximo post, a próxima carta, a próxima fala de terceiro é o teste. Uma nova suspensão é questão de uma publicação.
EM CIMA DA MESA
Ao Ministro do Calendário: se não havia fato novo, por que a restrição valeu até o último dia, atravessando o primeiro turno?
À campanha de Flávio: a visita vai ser só visita? Ou vai virar foto, carta, post e recibo?
Lei que só vale na véspera da eleição não é lei. É relógio.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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