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MORAES VOTA NO JULGAMENTO SOBRE ELE MESMO

Toffoli se declarou suspeito. Nunes Marques ficou de fora. O investigado ficou na sala — e opinou sobre o próprio destino.

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MORAES VOTA NO JULGAMENTO SOBRE ELE MESMO
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Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.

Dez da manhã desta terça-feira, 15 de setembro. Esplanada dos Ministérios interditada. Detector de metal na porta. Celular lacrado na entrada. Jornalista barrado do plenário, olhando a parede da marquise. Pela primeira vez em 135 anos, o Supremo Tribunal Federal se reuniu para decidir se investiga um dos seus.

E o investigado ficou na sala. Sentou. Falou. Discutiu. E votou.

O nome é Alexandre de Moraes. Daqui em diante, nesta casa, o ministro das cinquenta mensagens.

Porque é isso que a Petição 16.662 carrega: um relatório da Polícia Federal com mais de duzentas páginas, apontando mais de cinquenta mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para um número atribuído ao ministro, entre 2023 e novembro de 2025. Vorcaro está preso desde março. O relatório não foi escrito por militante de internet. Foi escrito pela Polícia Federal, a pedido de um ministro do próprio Supremo.

DOIS SAÍRAM DA SALA. ELE FICOU E VOTOU.

Dias Toffoli se declarou suspeito e não votou. Nunes Marques também ficou de fora. Dois homens entenderam sozinhos o que qualquer brasileiro entende sem ler uma linha de Direito: quem está no assunto não julga o assunto.

O ministro das cinquenta mensagens entendeu diferente.

Ficou. Rebateu. Bateu boca com André Mendonça, o colega que mandou produzir o relatório sobre ele, acusando Mendonça de ter pedido em reunião que o incluíssem por servir a um grupo político. Mendonça, na cara dele, disse que era mentira.

E depois disso, opinou sobre o próprio destino.

Não existe tribunal, vara, junta, conselho de condomínio ou comissão de bairro neste país onde o acusado tenha direito a voto na sessão que o acusa. Não existe. Em nenhum lugar. Menos num.

A ESCADA

2023 a novembro de 2025: período das mensagens de Vorcaro para o número atribuído ao ministro, segundo a Polícia Federal.

Março de 2026: Vorcaro é preso por suspeita de fraude financeira.

Setembro de 2026: André Mendonça manda a PF periciar o celular. Sai o relatório de mais de duzentas páginas.

Semana passada: Moraes reage incluindo Mendonça no inquérito das fake news — o mesmo inquérito que ele relatava.

Sábado, 12: Fachin avoca o caso para a Presidência.

Terça, 15: julgamento com imprensa do lado de fora, dois ministros impedidos e o investigado votando.

Uma coincidência acontece. Seis começam a pedir explicação.

A PORTA FECHADA JÁ ERA O RECADO

Antes de qualquer voto, a Corte tomou uma decisão sobre você: mandou a imprensa esperar na marquise. Trancou celular. Fechou a Esplanada. Quem tem a consciência limpa não precisa fechar a porta para ser julgado.

QUEM PAGA ESSA CONTA É VOCÊ

Você atrasa um boleto um dia e paga multa. Você é intimado, responde, comparece, prova. Se esta Corte decidir que um ministro não pode ser investigado nem quando a própria Polícia Federal junta cinquenta mensagens, ela não está salvando um homem. Está escrevendo, com a assinatura do Supremo, que existe brasileiro acima da lei.

E aí não é discurso: nenhum investidor bota dinheiro num país onde a decisão depende de quem você conhece. A conta chega no arroz, no feijão e no juro do seu financiamento.

Nada disso está provado, e é exatamente por isso que se investiga. Quem impede a investigação não prova inocência. Só compra silêncio.

EM CIMA DA MESA

Ao ministro das cinquenta mensagens: por que Toffoli e Nunes Marques souberam sair da sala e o senhor não?

A Edson Fachin: por que a imprensa ficou do lado de fora de um julgamento que o senhor mesmo chamou de histórico?

Ao Senado Federal: o artigo 52 da Constituição está aí desde 1988, esperando alguém ter coragem de usar. Quantas mensagens faltam?

O Brasil assistiu hoje um homem julgar a si mesmo e chamar isso de Justiça.

#ForaMoraes

Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.

TRIBUNAL DO LEITOR

Agora, decida você mesmo.

Depois de analisar os fatos apresentados nesta matéria, qual é o seu veredito?

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