Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Segunda-feira, 24 de agosto. Dez da manhã. Assembleia geral extraordinária do Banco de Brasília, exclusivamente on-line.
Sem plenário. Sem microfone aberto. Sem cara a cara. Um formulário eletrônico e um botão.
Pauta de um item só: autorizar o banco a entrar na Justiça contra ex-administradores que venham a ser apontados como responsáveis pelo prejuízo das operações com o ecossistema Banco Master e Reag.
Resultado: 7.495 acionistas mandaram aprovar. Um se absteve.
Sete mil, quatrocentos e noventa e cinco a um. E ainda teve um que preferiu não se comprometer.
O QUE FOI APROVADO NÃO É O QUE VOCÊ PENSOU
Leia devagar o comunicado do próprio banco. A autorização atende ao artigo 159 da Lei das Sociedades por Ações e "não representa definição prévia de responsabilização de pessoas específicas".
Traduzindo para a mesa do boteco: não aprovaram processar ninguém. Aprovaram poder processar alguém, um dia, quando alguém disser quem é.
Pela lei, empresa de capital aberto não pode cobrar ex-diretor sem passar por assembleia. É regra, e regra existe. Mas repare no calendário: o Master foi liquidado em novembro de 2025. O carimbo que libera a cobrança saiu em agosto de 2026.
Nove meses para conseguir a permissão de começar.
A ESCADA
Julho de 2024 a outubro de 2025: R$ 16,7 bilhões transitam entre BRB e Master, segundo decisão judicial de novembro.
28 de março de 2025: o BRB anuncia a compra de 58,04% do Master por R$ 2 bilhões.
Março de 2025: o Banco Central já batia na porta. O diretor de fiscalização Ailton Aquino depôs à PF dizendo que a autoridade monetária levantava preocupações sobre aquelas operações desde então.
Setembro de 2025: o Banco Central barra a compra.
18 de novembro de 2025: o Master é liquidado. Daniel Vorcaro é preso.
15 de janeiro de 2026: o Banco Central liquida também a Reag.
16 de abril de 2026: Paulo Henrique Costa, presidente do BRB desde 2019, é preso na quarta fase da Operação Compliance Zero. Continua na Papuda. A PF o acusa de ter recebido seis imóveis de luxo avaliados em cerca de R$ 140 milhões. Ele está preso preventivamente e não foi condenado.
Maio de 2026: o STF homologa o acordo que viabiliza empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos para recompor o banco.
24 de junho de 2026: a governadora Celina Leão sanciona, com vetos, a lei que ratifica o socorro.
24 de agosto de 2026: os acionistas autorizam o banco a poder processar.
O dinheiro andou rápido. A cobrança está engatinhando.
QUEM É O DONO DESSE BANCO
O BRB não é banco de acionista de terno em Nova York. É banco estatal, controlado pelo Governo do Distrito Federal. Presidente de banco público é indicação política. Conselho de banco público é indicação política.
Quer dizer: quem escolheu quem sentou na cadeira foi o governo. Quem paga a conta da cadeira é o morador de Brasília, de Ceilândia, de Samambaia, do Gama.
A CONTA, EM PORTUGUÊS
Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master ligadas a ativos que podem simplesmente não existir. O Banco Central calculou que cobrir esse buraco pode passar de R$ 5 bilhões. O socorro autorizado chega a R$ 6,6 bilhões.
O Distrito Federal tem cerca de 2,8 milhões de moradores.
Divide.
Dá mais de R$ 2,3 mil por cabeça. Bebê, aposentado, ambulante da rodoviária, todo mundo.
É esse o valor do papel que alguém comprou sem conferir. Uma família de quatro pessoas em Ceilândia entrou nessa história devendo quase dez mil reais que nunca viu, nunca pediu e nunca gastou.
EM CIMA DA MESA
Ao banco que pediu licença: nove meses depois da liquidação do Master, quantas ações já estão protocoladas na Justiça? Zero conta como resposta.
Ao Governo do Distrito Federal: o socorro de R$ 6,6 bilhões saiu com data marcada, lei sancionada e homologação no Supremo. Por que a cobrança de quem causou o rombo é a única parte do processo que anda no passo da tartaruga?
E ao acionista que se absteve: sobre o que exatamente o senhor ainda tinha dúvida?
O dinheiro do contribuinte já foi. A conta já foi votada. Falta votar o nome de quem assinou.
A VERDADE NÃO PEDE LICENÇA


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