Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Sexta-feira, 18 de setembro. Brasília. Faltam 16 dias pra urna. De manhã, a AGU bate na porta do Supremo pedindo carimbo. No fim do dia, o carimbo já tá na mesa. Gilmar Mendes atendeu ao pedido e declarou válido o decreto de Lula que reajusta o Bolsa Família.
Nenhuma fila do INSS anda nessa velocidade. Nenhum processo seu anda nessa velocidade. O do Mandatário andou em horas.
E aqui entra o personagem. Em 2024, Gilmar jurou que ia trancar a porteira pra nenhum presidente usar dinheiro de programa social pra comprar eleição. Em 2026, abriu a porteira com a mão dele. A partir de agora, ele atende por um nome só: O PORTEIRO.
A ESCADA
Julho de 2022: Bolsonaro, candidato à reeleição, aprova a chamada PEC Kamikaze. O Auxílio Brasil sobe de R$ 400 pra R$ 600, o Vale-Gás aumenta e nascem auxílios pra taxista e caminhoneiro.
1º de agosto de 2024: o Supremo declara inconstitucionais trechos daquela emenda. Vence a tese do Porteiro. E ele explica o motivo: a decisão servia pra impedir que outros presidentes seguissem o mesmo caminho pra influenciar eleição.
Guarda essa frase. Ela volta.
17 de setembro de 2026: a 17 dias do primeiro turno, o Mandatário assina o reajuste. O piso sobe de R$ 600 pra R$ 691, e o valor médio passa de R$ 675 pra R$ 777.
Mesmo dia: o candidato Renan Santos, do Missão, pede ao TSE a suspensão do reajuste, chamando a medida de ilegal e de algo que desequilibra a eleição.
18 de setembro: a AGU pede ao Supremo que reconheça a constitucionalidade do decreto. O Porteiro atende no mesmo dia.
19 de outubro: o dinheiro novo começa a cair na conta.
"NÃO É AUMENTO". AH, TÁ.
O Porteiro tem uma explicação, e ela vai aqui inteira pra ninguém dizer que o NogNews escondeu. Ele diz que os 15,04% são só a inflação medida pelo INPC desde março de 2023, mero mecanismo de recomposição, e não aumento real. E jura que 2022 foi diferente, porque Bolsonaro ampliou benefício temporário, criou prestação nova, antecipou pagamento e aumentou o número de famílias.
Bonito no papel. Agora olha pro bolso. Em 2022, o eleitor viu o valor subir às vésperas da urna. Em 2026, o eleitor vê o valor subir às vésperas da urna. O nome técnico mudou. O calendário é o mesmo. A cara de quem assina é que mudou.
Uma coincidência pode acontecer. Mesmo mês, mesma eleição, mesmo programa, mesmo Porteiro com duas sentenças opostas. Aí já não é coincidência. É preferência.
QUEM PAGA O CAFÉ DA URNA? VOCÊ.
Segundo o que circula sobre o caso, a conta é de R$ 5,8 bilhões ainda este ano e perto de R$ 22 bilhões em 2027. O governo diz que acomoda com remanejamento. Traduzindo pra vida real: tira de algum lugar. Da estrada que não vai ser asfaltada. Do posto que não vai abrir. É você que paga o reajuste que chega depois da urna. É você que paga a caneta de quem assinou antes dela.
DEBAIXO DO TAPETE
Agora o lance que ninguém tá vendo. O processo de verdade, o do Renan Santos, tá no TSE. Nas mãos de André Mendonça, o mesmo que em 2024 ficou vencido. O que o Porteiro fez foi chegar antes. A decisão dele não julga aquela representação, mas bate de frente justamente na tese de que o reajuste viola a lei eleitoral.
Entendeu o xadrez? Não precisou ganhar o jogo no TSE. Bastou colocar a peça no tabuleiro do Supremo primeiro. Quem for contra agora não está contrariando o governo. Está contrariando o decano do STF.
E repara na data do depósito: 19 de outubro. Depois do primeiro turno. Seis dias antes do segundo. O dinheiro não chega pra votar no dia 4. Chega pra lembrar quem pagou no dia 25.
EM CIMA DA MESA
Porteiro: em 2024, a porteira era pra todos os presidentes ou só pra um?
Mandatário: se é só inflação, por que esperou três anos e meio pra corrigir, e corrigiu justo a 17 dias da urna?
Em 2024, ele trancou a porteira. Em 2026, entregou a chave pro dono da fazenda.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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