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O CERCO A ANDRÉ MENDONÇA

Governo, cúpula do Supremo e Polícia Federal empurram na mesma direção contra o único ministro que segura, ao mesmo tempo, o inquérito do roubo dos aposentados e a fraude bilionária do Banco Master

Redação NOGNEWS
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Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.

Terça-feira, 25 de agosto. Quartel-General do Exército, em Brasília. Cerimônia oficial, câmeras ligadas, jornalistas na saída. Perguntaram ao presidente da República sobre o avanço da investigação da Polícia Federal que cita o próprio filho no escândalo do INSS. Ele desviou e seguiu andando.

Do outro lado da Praça dos Três Poderes está o homem que não pode desviar. André Mendonça não pediu nenhum dos dois casos. Não fez campanha por eles, não puxou processo, não abriu a mão. Caiu com ele no sorteio. Duas vezes. Daqui em diante, nesta página, o Relator do Sorteio.

E desde que os dois papéis caíram na mesa dele, três máquinas diferentes passaram a empurrar na mesma direção: o Palácio, a cúpula do próprio tribunal e a polícia que deveria investigar para ele.

A ESCADA

25 de agosto de 2025, por volta das 20h: dois ministros de Estado recebem por WhatsApp a notícia de que Mendonça acabou de ser sorteado relator do INSS. Leem, se entreolham e levam a informação ao presidente. Lula fica em silêncio. O silêncio dura até hoje.

12 de fevereiro de 2026: o Relator do Sorteio herda também o caso Master, depois de Dias Toffoli deixar o comando da investigação em meio a questionamentos sobre proximidade com Daniel Vorcaro, ex-dono do banco.

Junho de 2026: a cúpula do Judiciário reforça a segurança pessoal do ministro. O motivo, segundo análise técnica interna, é aumento real de risco à integridade física dele. Um ministro do Supremo ganhando escolta por causa de processo: guarde esse degrau.

Meados de 2026, sessão pública da Segunda Turma: diante de Gilmar Mendes, o Relator do Sorteio diz em voz alta que "há um sistema articulado" para criar nulidades no caso Master, e afirma que não está cego. Na mesma sessão, expõe que o pai de Vorcaro teria montado estrutura privada para ameaçar testemunhas.

Julho e agosto de 2026: o ministro determina que todo o material do inquérito do INSS vá ao gabinete dele e que trocas de delegados e peritos sejam comunicadas. Concluiu que a PF vinha fazendo corpo mole na parte que toca o filho do presidente. A corporação resiste. Instala-se o impasse.

Agosto de 2026: Mendonça senta com o ministro da Justiça e com o advogado-geral da União para baixar a temperatura.

Sexta-feira, 21 de agosto: num seminário de magistrados no Mackenzie, ele diz que juiz não pode querer enriquecer, que a magistratura já é privilegiada e existe para servir.

Última semana: reportagem da Revista Oeste aponta movimentação nos bastidores para isolar o relator, com recados saindo do STF e do governo em direção a pessoas do entorno dele.

NINGUÉM ESCOLHEU MENDONÇA. O SORTEIO ESCOLHEU.

É aqui que a conta fecha. Se o problema fosse o método do ministro, o incômodo teria começado no primeiro despacho. Começou no sorteio.

TRÊS INSTITUIÇÕES DIFERENTES. UM ALVO SÓ.

Um governo que se irrita com o nome sorteado. Uma polícia que discute com o relator dos casos em que o filho do presidente é citado. Colegas de tribunal mandando recado para o entorno de um par. Cada movimento, isolado, tem explicação técnica. Todos juntos, apontando para a mesma cadeira, viram outra coisa.

Uma coincidência acontece. Cinco começam a pedir explicação.

O QUE DIZ O OUTRO LADO

E há outro lado, que este jornal não vai esconder. Integrantes da Corte sustentam que não cabe ao relator controlar a investigação da polícia, e que o pedido de dados brutos indexados pode abrir flanco para alegação de interferência indevida — o que, na prática, anularia tudo lá na frente. Gilmar Mendes e Flávio Dino têm falado em desgaste institucional. É argumento de verdade e merece resposta de verdade.

Só que o remédio proposto cura o doente matando: para evitar a nulidade futura, tira-se o controle do relator hoje. E quem ganha com processo lento não é a técnica. É quem está dentro dele.

O QUE ISSO CUSTA PRA VOCÊ

O caso do INSS é desconto tirado do benefício de aposentado e pensionista, gente que ganha por mês menos do que se movimentou por dia no outro processo. Se o inquérito trava, ninguém devolve nada. O dinheiro não volta por prescrição, por acordo ou por cansaço da imprensa. Volta se alguém segurar o processo até o fim. Hoje esse alguém é um homem só, com escolta reforçada.

EM CIMA DA MESA

Ao Palácio: por que o silêncio de agosto de 2025 nunca virou uma frase pública de apoio à investigação?

À Polícia Federal: qual pedido do relator, exatamente, atrapalha a técnica — e por que ele só passou a atrapalhar quando o inquérito chegou perto do filho do presidente?

Ao Supremo: se o problema é o método, por que o incômodo nasceu no sorteio?

Não se cerca quem está indo para o lugar errado. Cerca-se quem está chegando perto.

TRIBUNAL DO LEITOR

Agora, decida você mesmo.

Depois de analisar os fatos apresentados nesta matéria, qual é o seu veredito?

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