Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Três dias antes do primeiro turno, Gilmar Mendes resolveu gritar. Chamou o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, de "imperador". A acusação é dele, com aspas e tudo.
Só que tem um problema na acusação: o roteiro desse filme mostra quem, de fato, está tentando mandar.
O PEDIDO
Paulinho da Força apresentou um pedido. A ideia: tirar Kassio e André Mendonça, presidente e vice do TSE, da relatoria de ações de propaganda eleitoral. E o ministro Flávio Dino aparece como o nome que poderia dar esse passo.
Repare na palavra: possibilidade. Segundo a Folha, ministros de diferentes alas do Supremo avaliam que a medida poderia ser adotada, sob a alegação de represamento de decisões individuais. É hipótese de bastidor, ainda não é decisão.
Mas a pergunta já está na mesa, e ela é pesada. Quem tira o presidente e o vice do tribunal que conduz a eleição, a poucos dias da urna? Com que rito? Com que votação? Com que investigação? Se esse caminho existe, quem quer percorrê-lo precisa mostrar o mapa, no papel, em público.
OS NÚMEROS DO TSE
O TSE respondeu com número. Contesta que exista paralisação e informa que cerca de 210 representações já foram referendadas pelo plenário.
Pensa nisso. Duzentas e dez decisões passaram pelo plenário, onde vota um colegiado, não um homem só. Se isso é o tal "imperador", é um imperador que pede o aval da corte inteira antes de cada passo.
A SEQUÊNCIA DA PADROEIRA
Tem mais. Dino derrubou uma decisão de Mendonça sobre publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Depois, Luiz Fux restabeleceu a ordem de Mendonça. Um desfez, o outro refez. É a escalada que o próprio texto-base descreve: decisões conflitantes, uma atrás da outra, na mesma semana.
Quando um ministro derruba a decisão de outro numa tacada e o próprio Supremo precisa corrigir, ninguém ali está agindo com calma. Está agindo com pressa.
O DESESPERO
Aqui entra a leitura da casa, e é a nossa posição: estamos do lado de Kassio Nunes Marques e André Mendonça.
Quem tem confiança na própria posição não precisa gritar "imperador" na véspera da eleição. Quem não precisa de pressa não aciona um pedido pra trocar relator de última hora. Esse movimento tem cara de quem sentiu o chão mexer.
E "imperador" é uma palavra que a plateia vai devolver. Imperador é quem decide sozinho. Se alguém, na véspera da votação, tenta tirar do tabuleiro presidente e vice de um tribunal inteiro, a pergunta que o brasileiro faz é: quem, afinal, está querendo mandar sozinho?
E AGORA EU PERGUNTO
Você aceitaria que, num campeonato, o juiz da final fosse trocado no intervalo por quem não gosta dele? Pois é isso que se discute, só que o prêmio é a Presidência.
O episódio expõe uma disputa cada vez mais explícita sobre os limites entre o Supremo e a Justiça Eleitoral, no momento mais sensível do calendário político. E quem paga quando a briga fica pública? Você. O eleitor que vai pra urna precisando acreditar que o juiz é o juiz, e não o personagem da próxima briga.
EM CIMA DA MESA
Pra Gilmar: quem, exatamente, é o imperador? Repita a acusação com nome, data e documento.
Pra Dino: vai agir sozinho, ou vai levar o caso a votação aberta, com a maioria do Supremo à vista de todos?
Pra Fux: o que restabeleceu na Padroeira vale pro próximo caso?
Quem grita "imperador" na véspera costuma estar com medo do trono vazio.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.

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