Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
BELO HORIZONTE, TERÇA-FEIRA, NOVE DA MANHÃ. Rua Úrsula Paulino, bairro Betânia. Um caminhão. Em cima dele, o candidato Flávio Bolsonaro. Do lado, Nikolas Ferreira. Embaixo, apoiador.
E foi dali que o senador virou-se para o aposentado brasileiro e prometeu: ninguém encosta no contracheque de vocês. Depois disse o nome. Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo Flávio, foi ele quem abriu as portas de vários ministérios para a família do presidente fazer negócio com dinheiro público.
Daqui pra frente, nesta matéria, ele é o Homem da Antessala.
A EXPLICAÇÃO QUE NÃO EXPLICA
O Homem da Antessala recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger — a lobista investigada pela PF no caso das fraudes do INSS e amiga do filho do presidente.
A resposta dele é uma só: foi empréstimo pessoal, já quitado, e não houve irregularidade nenhuma.
Pode ser. Mas repare no que a frase deixa de pé. Não é a existência do dinheiro que está em discussão — isso ele confirma. É a companhia. O chefe de gabinete do presidente da República pegando dinheiro emprestado justamente com a mulher que fazia lobby dentro dos ministérios que ele destrancava.
Empréstimo entre amigos é normal. Depende de quem é o amigo.
QUEM ERA ELE, AFINAL
Não era um funcionário qualquer. Era braço direito de Lula. Despachava na antessala do presidente — a última porta antes da porta. Era ele quem fazia os principais contatos com os ministros.
Ninguém senta naquela cadeira por concurso. Senta por indicação. E a indicação tem dono.
A ESCADA
22 de março de 2024. A lobista escreve ao filho do presidente que os dois trabalham em nível diferenciado e que o futuro deles é a Suíça. Na mesma conversa, Fábio Luís Lula da Silva conta que participa de reuniões com o Homem da Antessala e com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, o Berger.
Degrau seguinte. Foi o Berger, figura histórica do PT, quem abriu a Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS — o mesmo que tentou emplacar contrato milionário de cannabis medicinal para o SUS.
Degrau seguinte. O Careca repassou R$ 1,5 milhão à lobista.
Degrau seguinte. Em uma das transferências, o empresário avisa a um interlocutor que aquele dinheiro era para o "filho do rapaz". A PF anotou a expressão e escreveu ao lado: possivelmente Lulinha.
Degrau seguinte. R$ 249 mil saem das mãos dela e vão para o Homem da Antessala.
Uma coincidência acontece. Cinco começam a pedir explicação.
O DINHEIRO ERA PARA O "FILHO DO RAPAZ"
É desse bilhete que sai o segundo apelido desta matéria. Não fomos nós que demos: saiu da boca de quem mandava o dinheiro, e a Polícia Federal apenas anotou.
Leitura da redação: não é o valor que impressiona. É o vocabulário. Gente que precisa apelidar o destinatário do próprio pagamento sabe exatamente que aquele nome não pode aparecer.
Nada disso está julgado, o Homem da Antessala nega irregularidade e o filho do presidente não é réu — e o país segue esperando resposta de quem escolheu essa gente para a antessala.
E QUANTO CUSTA ISSO PARA VOCÊ
O escândalo do INSS não é abstração de Brasília. Ele chegou em forma de desconto no contracheque de quem trabalhou quarenta anos e hoje conta moeda no fim do mês. Enquanto se discutia contrato milionário e futuro na Suíça, tinha viúva de setenta anos perdendo trinta reais por mês e sem saber para onde ia.
EM CIMA DA MESA
Ao Homem da Antessala: se era empréstimo pessoal, existe contrato, comprovante e data de quitação. Publique.
Ao filho do rapaz: o senhor participou daquelas reuniões com ministério na pauta? Sim ou não?
A quem entregou a chave da antessala: o presidente sabia com quem seu chefe de gabinete pegava dinheiro emprestado?
Até a próxima, seguimos contando os degraus.


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