Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje!
Terça-feira, 18 de agosto. Brasília. Encontro de presidenciáveis promovido por entidades do comércio e serviços. Terminado o evento, o deputado federal Kim Kataguiri para diante dos jornalistas e solta o nome novo da equipe econômica de Renan Santos, candidato do Missão ao Planalto.
O nome é Paulo Bijos.
Até julho de 2024, secretário de Orçamento Federal do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Dezessete dias antes, na convenção que o oficializou candidato, Renan tinha subido no palco para dizer que ele não é a negação do PT e que petistas e bolsonaristas "têm que ir para a lata de lixo da história, juntos".
Dezessete dias. Foi o tempo entre a lata de lixo e a contratação.
QUEM É O HOMEM DOS PROJETOS PESSOAIS
Consultor de orçamento da Câmara dos Deputados desde 2016. Antes disso, consultor do Senado, auditor do Tribunal de Contas da União e analista do Ministério do Planejamento. Em janeiro de 2023, foi cedido pela Câmara ao governo Lula e anunciado na equipe da ministra Simone Tebet. Ficou um ano e meio no comando do Orçamento da União.
Agora ele é quem assina a conta do candidato que promete acabar com tudo aquilo.
A ESCADA
Janeiro de 2023 — Bijos é anunciado secretário de Orçamento Federal, cedido pela Câmara ao governo Lula.
26 de junho de 2024 — encerra o período no cargo.
6 de julho de 2024 — o Ministério do Planejamento comunica: exoneração a pedido. Motivo oficial, para priorizar projetos pessoais.
8 de julho de 2024 — a exoneração sai no Diário Oficial. Às vésperas do envio do Orçamento de 2025 ao Congresso.
18 de agosto de 2026 — o projeto pessoal aparece. É uma campanha presidencial.
A SAÍDA NÃO FOI BEM ASSIM
A nota falava em pedido do próprio servidor. A reportagem do Estadão contou outra história: Bijos foi requisitado de volta pelo então presidente da Câmara, Arthur Lira, num movimento que pegou o Ministério do Planejamento de surpresa — a própria Tebet ligou para Lira. A Folha registrou que a ministra tentou reverter a saída e não conseguiu.
Leitura da redação: um secretário de Orçamento não some às vésperas do Orçamento por acaso. Nada indica que a saída de 2024 tivesse qualquer relação com uma candidatura que ainda não existia — mas o homem que o governo perdeu na marra é o mesmo que a oposição ganhou de graça.
E ONDE ISSO ENCOSTA EM VOCÊ
Aqui não tem economês. Segundo Kataguiri, o plano desenhado por Bijos economiza R$ 1,1 trilhão em cinco anos, chegando a R$ 3,3 trilhões em dez. A parte que todo mundo aplaude é o corte de supersalário de juiz, promotor e diplomata. Essa parte é boa. Essa parte a gente assina embaixo.
Mas o programa protocolado no TSE não para aí. Ele prevê desindexação de benefícios e desvinculação de pisos.
Traduzindo para a língua da rua: desindexar benefício é soltar a correção da aposentadoria do salário mínimo. Desvincular piso é soltar o mínimo que o governo é obrigado a gastar com saúde e educação.
Você trabalha. Você desconta. Você espera. Você chega nos sessenta e cinco. E aí descobrem que a régua mudou.
Pode ser seu pai. Pode ser sua mãe. Pode ser você.
UM TRILHÃO NÃO CAI DO CÉU. SAI DE ALGUM LUGAR.
E até agora ninguém disse, em português claro, de qual bolso.
EM CIMA DA MESA
Para o Homem da Lata de Lixo: o senhor prometeu mandar o governo Lula para o lixo da história e contratou o Orçamento dele. A lata é para o governo ou só para os nomes que não servem?
Para o Homem dos Projetos Pessoais: o senhor saiu do governo às vésperas do Orçamento por projetos pessoais. Passados dois anos, o projeto virou campanha. Quando começou o projeto?
Para os dois: o corte de R$ 1,1 trilhão mexe na correção da aposentadoria e no piso da saúde? Sim ou não?
A VERDADE NÃO PEDE LICENÇA.


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