Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje!
Foi ele quem escolheu a palavra. Ninguém pôs "genocídio" na boca dele. E é com a régua dele que agora se mede o governo dele.
Vinte de janeiro de 2023. Boa Vista. O presidente recém-empossado desce em Roraima, entra na Casa de Saúde Indígena, olha as fotos de costelas aparecendo e escreve: "Mais do que uma crise humanitária, o que eu vi em Roraima foi um genocídio: um crime premeditado contra os Yanomami, cometido por um governo insensível ao sofrimento." No mesmo dia sai a emergência em saúde pública. Vem ministério novo, cesta básica de avião, garimpeiro correndo, foto no mundo inteiro.
Quarta-feira, 19 de agosto de 2026. Um levantamento do Ministério da Saúde chega ao Congresso Nacional. Entre 2023 e 2025, morreram 1.121 indígenas na Terra Yanomami. No mesmo intervalo de três anos do governo anterior, foram 951.
A EMERGÊNCIA FOI DECRETADA EM 2023. OS ENTERROS CONTINUARAM ATÉ 2025.
O governo reagiu no dia seguinte. O ministro Alexandre Padilha foi às redes acusar a revista Veja de manipular número sem contexto, lembrou que entre 2019 e 2022 a assistência estava desmontada e que havia subnotificação — quer dizer, morria mais gente do que se contava. É o argumento oficial, e é preciso registrá-lo inteiro. Ele também diz outra coisa, sem querer: hoje se conta melhor. E o que se conta, agora que se conta direito, são mil cento e vinte e um.
A Caravana de Nog — grupo impávido, perspicaz e intemerato — foi ler o relatório inteiro, e não só a manchete. As principais causas listadas são as mesmas de sempre, as que se resolvem com médico e comida: infecção respiratória aguda, 219 mortes. Desnutrição, 104. Malária, 47.
A OBRA DA CASA DE SAÚDE PAROU. A CESTA BÁSICA DIMINUIU.
Não é o NogNews que diz. É a Subcomissão do Senado que acompanha a crise, presidida por Damares Alves. O relatório aponta falha estrutural, operacional e de gestão. Dificuldade de abastecimento de medicamento. A reforma da Casa de Saúde Indígena Yanomami, a CASAI-Y, parada. Aula interrompida em aldeia. Redução na distribuição de cestas básicas. E garimpo e grupo armado de volta, atrapalhando a equipe de saúde de chegar.
Três anos depois da "emergência", a casa de saúde da foto continua em obra.
A ESCADA
Jan/2023 — Lula em Roraima: genocídio, crime premeditado. Emergência decretada.
2023 — Nasce o Ministério dos Povos Indígenas, com Sonia Guajajara. R$ 1,8 bilhão em créditos extraordinários aprovados pelo Congresso para o território.
Fev/2024 — O Ministério da Saúde para de publicar os boletins periódicos do território. Eram semanais, viraram mensais, sumiram. Pedidos de cidadãos pela Lei de Acesso à Informação sobre os óbitos de 2024 foram negados.
2023 a 2025 — 1.121 mortes.
21/08/2026 — Padilha chama a reportagem de mentira. Flávio Bolsonaro republica a manchete e escreve: "Já pode chamar de genocida?"
Agora — Fachin, presidente do STF, procura Damares para montar uma missão ao território. Três anos depois de o próprio governo dizer que já tinha resolvido.
O NogNews não tem laudo pericial. Tem uma conta de três anos, uma palavra escolhida pelo próprio presidente e um relatório do Senado dizendo que a cesta básica diminuiu. O governo contesta a comparação, alega subnotificação no período anterior, aponta queda de 29,5% nas mortes no primeiro semestre de 2026 e lembra que o STF encerrou a ADPF 709 por unanimidade.
R$ 1,8 bilhão. Do seu imposto. Empenhado. E a criança da foto continua com a bacia na mão.
EM CIMA DA MESA
Ao Homem Que Viu: se em 2023 morrer indígena era crime premeditado, o que é morrer indígena em 2025?
Ao Ministério da Saúde: por que os boletins do território pararam de ser publicados em fevereiro de 2024?
Ao Ministério dos Povos Indígenas: quem foi exonerado por causa dessas mortes?
Uma foto derrubou um governo em 2023. A mesma foto, tirada hoje, não derruba ninguém — porque agora a legenda é outra.
Lula não sabia de nada, o que o torna incompetente, ou sabia de tudo, o que o torna corrupto?
O Estado cresce quando VOCÊ empobrece.
NOGNEWS — A verdade não pede licença.


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