Notícias

O QUE VIROU O JORNALISMO BRASILEIRO?

Banqueiro preso teria oferecido R$ 1 milhão pra segurar reportagem da Folha, e a matéria saiu com o tom que ele queria

Redação NOGNEWS
Redação NOGNEWSJornalismo NOGNEWS
NOGNEWS
O QUE VIROU O JORNALISMO BRASILEIRO?
19px
OUÇA ESTE CONTEÚDOLeitura em áudio

Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje!

Um milhão de reais. Pra adiar uma reportagem. Pra mudar o tom de um texto.

Segundo as conversas divulgadas pelo Metrópoles, Daniel Vorcaro teria oferecido R$ 1 milhão a Guilherme Barros pra segurar uma matéria que podia prejudicar o Banco Master. A matéria foi adiada por pelo menos 22 dias. Depois saiu com o conteúdo que a defesa de imagem do banqueiro queria.

QUANTO CUSTA A SUA CONFIANÇA?

Pensa comigo. Um milhão pra mudar uma palavra. Um milhão pra trocar a intenção do texto. Você lê o jornal todo dia achando que ali não tem dono. As mensagens sugerem que tinha.

A REUNIÃO NA REDAÇÃO

As conversas apontam um encontro entre Vorcaro, Sérgio Dávila, diretor de redação da Folha, e editores do jornal. Na pauta, a inclusão de informações positivas sobre o Master: metas de patrimônio e aquisições. Enquanto isso, os CDBs do banco eram vendidos como “os mais rentáveis do mercado”.

Propaganda com cara de notícia. Isso não é erro de digitação. É escolha.

E DEPOIS, O QUE ACONTECEU?

Preso o banqueiro, os trechos favoráveis sumiram. Entrou um parágrafo de tom negativo. E o leitor? Não foi avisado de nada.

Adia. Amacia. Maquia. Esconde. Quatro verbos, um só dono.

Não avisa a mudança. Não explica o recuo. Não corrige o erro. Quem paga o preço é quem assina a assinatura e confia no nome do jornal.

O PROBLEMA NÃO É UM BANQUEIRO

Vorcaro é a porta de entrada. O problema é o sistema. Quando a redação aceita conversa de quem paga, ela deixa de vigiar o poder e passa a ser vigiada por ele.

Lá na ponta, quem perde é o aposentado que guardou o CDB achando que era seguro. Quem perde é a família que decidiu a vida lendo um jornal que tinha preço.

A pendência é clara. A Folha precisa responder quem decidiu adiar, quem decidiu mudar o texto e por que o leitor foi tratado como cliente que não precisa saber de nada.

Quando a notícia tem dono, o leitor vira freguês.

Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.

Veredito: jornal que vende o tom deixa de ser jornal. Vira vitrine.

Sugestão de capa: um banqueiro de um lado, o logo da Folha do outro, e um carimbo de “adiado” no meio.


TRIBUNAL DO LEITOR

Agora, decida você mesmo.

Depois de analisar os fatos apresentados nesta matéria, qual é o seu veredito?

Carregando votação…