O escritório da mulher do ministro confirma a edição do documento e alega consulta de "compliance": "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master"
Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Terça-feira, 1º de setembro. O Estado de S. Paulo publica que o ministro Alexandre de Moraes editou, às 23h04 de uma noite de janeiro de 2024, a última versão de um contrato de R$ 131.274.351,72 entre o escritório da própria mulher e o dono do Banco Master. O país inteiro comenta. Um homem, não.
Todos os presidenciáveis se manifestaram. Todos. Menos o que já é presidente. O mesmo homem que dá opinião sobre futebol, sobre marciano, sobre o preço do arroz e sobre a vida alheia escolheu, justamente neste assunto, não ter opinião nenhuma. Daqui em diante, nesta página, ele é O PRESIDENTE QUE FALA DE TUDO.
E o silêncio dele não é distração. É contabilidade.
O QUE ELE ESTÁ CALADO SOBRE
Os metadados saíram de um arquivo extraído do celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal em novembro de 2025. O sigilo caiu por decisão do ministro André Mendonça. E o escritório Barci de Moraes não desmentiu: confirmou que o ministro acessou e editou o documento.
11 de janeiro de 2024, 17h30: Viviane Barci de Moraes envia, do celular pessoal, a minuta do contrato para o WhatsApp do banqueiro.
15 de janeiro de 2024, 21h22: Vorcaro devolve o arquivo com marcas de revisão e propõe combinar a assinatura.
15 de janeiro de 2024, 23h04: uma hora e quarenta e dois minutos depois, o documento é editado outra vez. O perfil gravado no metadado é o de um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Janeiro de 2024 a novembro de 2025: o contrato roda. Trinta e seis parcelas, R$ 3,6 milhões brutos por mês. O escritório recebe R$ 80,2 milhões, segundo dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado do Senado.
17 de novembro de 2025: Vorcaro é preso em Guarulhos. Os pagamentos param.
A defesa cabe numa frase: o "compliance" consultou o marido da sócia-diretora para verificar "eventuais impedimentos", e não havia nenhum, porque o ministro "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master". Nenhum documento conhecido até aqui mostra decisão dele em favor do banco. Fica registrado.
MAS PARA VERIFICAR QUE NÃO HAVIA IMPEDIMENTO, ALGUÉM PRECISOU ABRIR O CONTRATO ÀS ONZE DA NOITE.
A CONTA DO PRESIDENTE
Agora entenda por que o Planalto emudeceu.
Foi o Supremo que anulou as condenações do PRESIDENTE QUE FALA DE TUDO, em 2021, por incompetência da Vara de Curitiba. Foi o Supremo que declarou o juiz do caso suspeito. Foi o Supremo que devolveu a ele os direitos políticos e a ficha que o levou de volta ao terceiro andar do Planalto.
E não parou em 2021. Levantamento da própria Advocacia-Geral da União, publicado pela Folha de S.Paulo, mostrou a Corte decidindo em linha com o governo em nove de cada dez ações constitucionais.
QUEM GANHA NOVE DE DEZ NÃO RECLAMA DO JUIZ.
Some a isso as vagas que ainda vêm por aposentadoria compulsória nos próximos anos — cada uma delas indicada por quem estiver sentado naquela cadeira. O silêncio de hoje é investimento de amanhã.
QUEM PODERIA E NÃO QUER
Existe um único lugar no Brasil onde ministro do Supremo é julgado: o Senado. Segundo a Gazeta do Povo, são cento e nove pedidos contra ministros da Corte parados por lá, e o presidente da Casa sinalizou que não vai pautar nenhum.
Cento e nove pedidos dormem numa gaveta. E ninguém em Brasília perde o sono.
O QUE ISSO CUSTA A VOCÊ
Enquanto um contrato de R$ 131 milhões era negociado em quatro dias e revisado em cento e dois minutos, o seu papel continua onde sempre esteve. O aposentado espera perícia. A mãe espera pensão. O pequeno comerciante espera sentença há cinco anos e recebe, no lugar dela, um número de protocolo.
Existem duas filas no Brasil. Uma delas anda de madrugada.
EM CIMA DA MESA
Ao PRESIDENTE QUE FALA DE TUDO: o senhor comenta tudo o que acontece neste país. Por que este é o único assunto sobre o qual não tem uma palavra?
Ao REVISOR DAS ONZE DA NOITE: se não havia impedimento algum, por que a verificação exigiu abrir e editar o arquivo às 23h04, em vez de um parecer por escrito do compliance?
Um calou. O outro revisou. E o Brasil continua na fila.
NogNews — a verdade não pede licença.


Notícias
Notícias
Notícias
Notícias