TBT

RENAN SANTOS

Renan Antônio Ferreira dos Santos (nascido em 14 de fevereiro de 1984) é um ativista político, empresário, músico e político brasileiro. Ele cofundou o Movimento Brasil Livre em 2014 e é o atual presidente do Partido Missão. Posicionando-se como uma figura de direita opositora ao Bolsonarismo, ele é candidato à eleição presidencial brasileira de 2026.

Redação NOGNEWS
Redação NOGNEWSJornalismo NOGNEWS
NOGNEWS
RENAN SANTOS
VEJA
19px
OUÇA ESTE CONTEÚDOLeitura em áudio

Início da vida e ativismo

Santos nasceu em 14 de fevereiro de 1984, em São Paulo, São Paulo. Ele frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, mas acabou desistindo, embora tenha se envolvido intensamente na política estudantil durante esse período. Foi membro do Partido da Social Democracia Brasileira de 2010 a 2015.

Em Vinhedo, junto com outras pessoas, fundou o "Movimento Renovar Vinhedo", um grupo de jovens ativistas libertários, cuja principal característica era o uso da internet e uma estética irreverente para abordar suas questões. O movimento tinha ligações com o grupo político do ex-prefeito de Vinhedo, Milton Serafim, e seu sucessor, Jaime Cruz, bem como com o vereador Rubens Alves, pai de um de seus membros.

Naquele mesmo ano, membros do Movimento Renovar Vinhedo, incluindo Santos, juntaram-se a membros do grupo conhecido como Estudantes pela Liberdade e fundaram o Movimento Brasil Livre, com base na insatisfação comum com a vitória de Dilma Rousseff na eleição presidencial daquele ano.

O Movimento Brasil Livre foi fundado em 2014, no contexto de protestos contra o aumento das tarifas do transporte público e, posteriormente, mobilizações pelo impeachment de Dilma Rousseff. Santos, juntamente com Kim Kataguiri, Fernando Holiday, Rubinho Nunes e outros, tornou-se um dos principais líderes do movimento. Eles ficaram conhecidos por sua capacidade de organizar protestos nacionais com grande participação, usando as mídias sociais como ferramenta de mobilização.

Santos e outros membros do Movimento Brasil Livre decidiram convocar protestos logo após a sede da Editora Abril ter sido pichada por ativistas de esquerda, após a publicação da capa da Veja com Lula e Rousseff e a legenda "Eles sabiam de tudo" - uma referência aos acordos de delação premiada do lavador de dinheiro Alberto Youssef, no âmbito da Operação Lava Jato.

Na época, segundo o próprio Santos, o Movimento Brasil Livre concluiu que o Brasil estava passando por uma escalada de "venezuelização". Este foi o primeiro protesto do movimento, que se concentrou em: fraude nas eleições de 2014, uso de verbas públicas pelo Partido dos Trabalhadores para financiar campanhas e liberdade de imprensa. O protesto, realizado no Museu de Arte de São Paulo, reuniu aproximadamente 2.500 pessoas.

Santos participou de protestos populares que ocorreram em várias regiões do Brasil, cujos principais objetivos eram protestar contra o governo de Dilma Rousseff e as alegações de corrupção. Milhões de pessoas foram às ruas em pelo menos 250 cidades brasileiras nos primeiros protestos em 13 de março de 2016, tornando-se o maior protesto da história do Brasil.

Na época, o Movimento se declarou apartidário, mas Santos foi flagrado em vídeo em fevereiro de 2016 admitindo que o Movimento já contava com o apoio e financiamento de grandes partidos políticos, como o Partido da Social Democracia Brasileira, o Movimento Democrático Brasileiro, os Democratas e o Solidariedade.

Após os protestos de março de 2016, Santos e outros membros do Movimento iniciaram uma marcha de São Paulo a Brasília, exigindo o impeachment de Dilma Rousseff. Apelidada de "Marcha pela Liberdade", partiu de São Paulo em 24 de abril e percorreu três estados e mais de mil quilômetros ao longo de 33 dias, chegando a Brasília em 27 de maio.

Carreira política

Festa da Missão

Durante anos, o Movimento Brasil Livre apoiou candidatos de vários partidos, como Democratas, Podemos e Patriota. Figuras como Kim Kataguiri e Arthur do Val foram eleitos representantes por partidos tradicionais, mas sem que seu próprio partido representasse diretamente o movimento.

Diante desse cenário, Santos liderou a proposta de criação de um novo partido político. Em 2024, foi oficialmente anunciado como Partido da Missão. O nome foi escolhido para transmitir um senso de propósito, transformação e engajamento político, distanciando-se de acrônimos tradicionais que, segundo Santos, “carregam vícios da velha política”.

Mission foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral após a coleta das assinaturas necessárias, processo que Santos ajudou a coordenar. Em declarações à imprensa, Santos afirmou que o partido pretende lançar candidatos para todos os cargos em 2026, incluindo a Presidência. Além disso, o partido lançou o Livro Amarelo, material programático que sistematiza suas propostas.

Eleições presidenciais de 2026

Em 2025, Santos anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República nas eleições gerais de 2026, concorrendo à indicação do Partido Missão. Sua campanha adotou um discurso que critica o que ele denuncia como a “hegemonia política e cultural” exercida pelos partidos estabelecidos, enquanto simultaneamente se opõe ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao movimento bolsista.

De acordo com pesquisas eleitorais divulgadas no final de 2025, Santos alcançou suas maiores taxas de intenção de voto em pesquisas focadas em demografias mais jovens, particularmente entre a Geração Z — um eleitorado que ele afirmou que pretende priorizar ao longo de sua campanha eleitoral.

Em 20 de julho de 2026, sua candidatura foi oficialmente formalizada pelo Partido da Missão durante uma convenção virtual antecipada, com Aroldo Medina confirmado como seu companheiro de chapa para vice-presidente.

Posições políticas

Renan Santos distinguiu-se por defender o liberalismo económico, a redução da intervenção estatal e a modernização institucional, enfatizando as reformas estruturais e o empreendedorismo; contudo, desde então, adotou uma postura mais orientada para o desenvolvimentismo, distanciando-se do “liberalismo inicial do Movimento Brasil Livre” e rejeitando o dogmatismo ideológico, definindo o seu partido, Missão, como “um partido altamente pragmático de direita”.

Em matéria de segurança pública, ele defende uma resposta estatal mais rigorosa ao crime, defendendo uma “guerra” contra as organizações criminosas, sentenças mais rigorosas e debatendo a introdução da prisão perpétua e a reintrodução da pena de morte para crimes não militares, ao mesmo tempo que apoia a aplicação da lei penal inimiga aos membros de gangues, que ele considera não merecedores dos direitos convencionais ao devido processo legal; ele defende ainda a eliminação “física” dos membros de organizações criminosas através da prisão ou do uso de força letal em confrontos armados.

Em relação à política urbana, ele propõe a erradicação das favelas e sua transformação em bairros convencionais dentro de trinta anos, descrevendo a vida nessas áreas como insalubre, insegura e desumana, e defendendo a reconstrução organizada com infraestrutura e serviços públicos adequados.

Em março de 2026, ele publicou um vídeo acusando o cantor Wesley Safadão de liderar um esquema de corrupção que explorava municípios pobres da Região Nordeste, citando mais de 50 contratos no valor de R$ 52 milhões, o que levou Safadão a processá-lo e obter uma ordem judicial para a remoção do vídeo em abril de 2026.

Em maio de 2026, ele questionou publicamente o diagnóstico de autismo da atriz Letícia Sabatella, alegando uma "onda" de indivíduos neurotípicos que se declaravam autistas falsamente para obter benefícios, criticando a Lei Berenice Piana e o que ele chamou de "psiquiatras e advogados inescrupulosos", e afirmando que Sabatella havia "glamourizado" o autismo. Além disso, Santos defende a fusão de municípios e até mesmo de estados como uma medida de eficiência administrativa.

Vida pessoal

Em abril de 2026, vieram à tona mensagens privadas do Instagram nas quais Renan Santos afirmou em um grupo de discussão política que havia consumido cogumelos psicodélicos; Santos não negou a autenticidade das mensagens e confirmou ter usado a substância em três ocasiões.

Junto com outros membros do Movimento Brasil Livre, Santos também atua como músico na banda de rock alternativo Limão Rosa, onde é vocalista e guitarrista, com influências de artistas como Iggy Pop, The Velvet Underground e Bob Dylan.

A banda ganhou reconhecimento nacional em 2026 após liderar a votação popular no concurso Temos Vagas, promovido pela rádio 89 FM para selecionar uma banda independente para o festival Lollapalooza Brasil; apesar do bom desempenho na votação do público, o grupo não foi escolhido pelo júri técnico, que selecionou outra banda para o evento.

Em junho de 2026, a banda lançou seu álbum de estreia, Chão Pintado de Rubi, com onze faixas originais.

Processos judiciais e controvérsias

Em 2016, o site de notícias UOL publicou uma reportagem investigativa intitulada "Líder do Movimento Brasil Livre enfrenta mais de 60 processos e sofre R$ 4,9 milhões em multas".

As acusações incluem fechamento fraudulento de empresas, dívidas tributárias, fraude contra credores, inadimplência de dívidas trabalhistas e ações por danos morais.

Santos, por sua vez, comentou o relatório, alegando que tais ações judiciais decorrem das dificuldades da atividade empresarial no Brasil, explicando que as ações judiciais atribuídas a ele e sua família devido à propriedade da empresa "Martin Artefatos de Metal" já existiam antes de a família Santos a adquirir. Ele criticou o artigo por não indicar claramente os bens da empresa listados na ação judicial para pagamento de dívidas, observando que não houve atividade criminosa ou ilegal e que as ações judiciais são todas de domínio público.

O tribunal ordenou o bloqueio das contas bancárias da empresa, mas não encontrou fundos nelas. A penhora dos bens da empresa foi então ordenada, e eles foram leiloados na esperança de arrecadar os valores devidos aos credores.

A Receita Federal entende que a família Santos adotou uma estratégia de comprar empresas quase falidas, não declarar ou pagar impostos e enriquecer-se por meio da apropriação indevida de impostos pagos pelos consumidores finais.

Segundo um artigo do El País Brasil de setembro de 2017, membros da família Santos ligados ao Movimento Brasil Livre por meio da associação privada "Movimento de Renovação Nacional" são responsáveis por mais de 125 ações judiciais, a maioria relacionada ao não pagamento de dívidas vencidas e certas, dívidas tributárias, fraude em execuções processuais e reclamações trabalhistas.

Juntos, em setembro de 2017, eles haviam acumulado uma dívida de cerca de 20 milhões de reais.

Em uma reportagem publicada pelo jornal Metrópoles em março de 2022, o artigo constatou que Santos deve 6,3 milhões de reais somente ao sindicato federal, incluindo impostos federais e multas trabalhistas.

Em 2021, Santos envolveu-se numa controvérsia pública depois de uma modelo brasileira ter apresentado acusações de agressão sexual. Mais tarde, ela retratou a declaração e Santos abordou publicamente a situação. O caso gerou significativa cobertura mediática e debate público relativamente às declarações feitas pela figura política, que afirmou a sua inocência e solicitou judicialmente a remoção de várias publicações que o criticavam.

No mesmo ano, ressurgiu um vídeo de 2018, mostrando Santos em cima de um carro, no meio de uma multidão, gritando que se o grupo não fosse autorizado a entrar em um bar, Bárbara Tonelli (uma figura política do Movimento Brasil Livre) "seria estuprada". Mais tarde, ela se apresentou como amiga de longa data e descartou suas declarações como uma piada de mau gosto.