"STF avisa Mendonça que vai anular investigações contra Lulinha", escreveu o advogado André Marsiglia. O Globo, no mesmo dia, publicou que uma ala do tribunal já compara Mendonça a Moraes.
Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Quarta-feira, 19 de agosto. A Procuradoria-Geral da República protocola no Supremo o pedido para tirar dois inquéritos sobre O Homem Sem Origem das mãos de André Mendonça e mandá-los para a Justiça Federal de primeira instância. Argumento: não haveria autoridade com foro envolvida, nem conexão com a Operação Sem Desconto, a fraude dos aposentados.
Marsiglia leu o movimento e resumiu em uma linha: o que vem pela frente é anulação. O Globo, no mesmo dia, contou que uma ala do STF já compara a atuação de Mendonça à de Alexandre de Moraes — o elogio que na boca daquela turma é advertência.
E os autos ajudam a entender por quê. Hoje existem três inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva no Supremo. Dois caíram por sorteio com Mendonça. O terceiro ficou com Flávio Dino. O pedido para descer do STF foi endereçado aos dois de Mendonça. Do inquérito de Dino, não se tem notícia do mesmo pedido.
QUANDO A TESE VALE PARA TRÊS E O PEDIDO VAI PARA UM
Foro privilegiado não é preferência de gabinete. Ou os fatos alcançam autoridade com prerrogativa, ou não alcançam. Isso não muda conforme o resultado do sorteio.
O ministro deve rejeitar. Ele tem dito a interlocutores que a apuração ainda pode chegar a gente com foro, e dentro do gabinete a leitura é seca: existe manobra para tirá-lo do caso. Não seria a primeira vez que ele estorva. Mendonça assumiu o inquérito do Banco Master depois da saída de Dias Toffoli e, logo na largada, determinou que nem o diretor-geral da Polícia Federal teria acesso amplo à apuração.
Se ele negar, a PGR recorre, e a bola sobe para a Segunda Turma — Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques. É esse colegiado que decide se o processo continua no andar de cima ou começa tudo de novo lá embaixo. E quem escolhe a hora de liberar o recurso para julgamento é o próprio relator.
A ESCADA
Recesso do Judiciário, plantão de Alexandre de Moraes na presidência: é nesse turno que o Supremo define quem relata a nova investigação. Antes de decidir, Moraes pede manifestação da PGR.
27 de julho de 2026: a PGR responde que os fatos são distintos dos do INSS e que não há razão para reconhecer prevenção de Mendonça.
19 de agosto de 2026: a PGR pede que os dois inquéritos — o da Dataprev e o da tentativa de vender canabidiol ao Ministério da Saúde — desçam para a primeira instância.
20 e 21 de agosto de 2026: Globo, CNN, Band e SBT publicam a mesma informação: Mendonça deve negar. A PGR já estuda o agravo.
24 de agosto de 2026: a Veja publica as mensagens em que o próprio investigado escreve que não tem dinheiro nem origem para bancar a viagem à Suíça.
Uma manobra é procedimento. Quatro movimentos no mesmo sentido, em quatro semanas, é rota.
O QUE ISSO CUSTA A VOCÊ
Você já ouviu mil vezes que foro privilegiado é privilégio e tem que acabar. E é. O detalhe é o timing: o pedido para acabar com o foro chegou justamente no processo do filho do presidente, e chegou na mesa do relator que foi indicado pelo adversário político do pai dele.
Se descer para a primeira instância, começa de novo. Novo juiz, novo prazo, nova fila. E o relógio não para: você vota em 4 de outubro. O processo tem o tempo que quiser.
Existe nome técnico para trocar de juiz até achar um que sirva. Não vamos usar aqui. Vamos usar o número: três inquéritos, um pedido, um destinatário.
EM CIMA DA MESA
Ao procurador-geral Paulo Gonet: o mesmo pedido de primeira instância foi protocolado no inquérito que está com Flávio Dino? Sim ou não já resolve.
À Segunda Turma: se o agravo subir, os senhores vão julgar a tese ou o sobrenome?
A André Mendonça: o senhor disse que a apuração pode alcançar gente com foro. Quem?
Foro privilegiado que só vira problema quando o relator é o errado não é tese jurídica. É preferência com toga.


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