Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Quinta-feira, 8 de outubro. Noite. O TSE manda tirar do Instagram dois vídeos da campanha do PT.
Um é de Janja. Outro é do perfil oficial de Lula. Prazo pra apagar: 24 horas pro dela, 3 horas pro dele.
O QUE ELES DISSERAM
6 de outubro: Janja posta que Flávio Bolsonaro “quer que você trabalhe sete dias por semana”, que “vai acabar” com o Farmácia Popular e que o crime organizado “vai dominar o Brasil”. Fala até em “covas abertas” numa nova pandemia.
6 de outubro, no mesmo dia: o perfil de Lula solta a peça “Se Flávio vence, você perde”, amarrada no “tesouraço” que o PT atribui ao adversário.
7 de outubro: a campanha de Flávio vai ao TSE.
8 de outubro: a Justiça Eleitoral manda apagar.
O QUE O TSE DISSE
A palavra “fake news” é do título. O que consta na decisão é mais seco: os ministros entenderam que os posts trataram como certas consequências que Flávio nunca prometeu, “sem lastro mínimo”. Mendonça apontou “aparente contradição” com o plano de governo que o próprio Flávio registrou no tribunal, que garante manter os programas sociais. Mendonça acolheu só parte dos pedidos. As liminares ainda vão ao plenário.
Traduzindo: a Justiça olhou o papel e não achou nada que dissesse “acabar com o Farmácia Popular”.
O CASAL DO “VOCÊ PERDE”
O slogan é do próprio perfil de Lula. A mensagem é uma só: vote nele e você perde remédio, folga, proteção. Não é proposta. É susto.
Janja não é candidata, mas faz campanha com o peso do cargo de primeira-dama. Lula é candidato e usa a conta oficial. Os dois falando a mesma língua, no mesmo dia, com o mesmo tema. Coincidência? Uma, a gente aceita. Duas, no mesmo dia, pedem explicação.
O QUE NINGUÉM ESTÁ VENDO
Medo é o produto mais barato do mercado eleitoral. Não precisa de proposta, nem de dado, nem de obra. Só precisa de alguém que acredite.
Quando o juiz derruba, o estrago já fez a volta. O vídeo rodou 24 horas, 3 horas, o tempo que for. Quem viu não vai ver o “apagado”. Vai lembrar do “você perde”. Esse é o xadrez. A punição vem depois e o susto já foi entregue.
A SEGUNDA METADE
Quem manda é o povo. O povo que tem remédio pra pegar na farmácia. O povo que não tem folga. É esse povo que foi usado.
Usaram o medo da fila, o medo da cova, o medo do patrão. Usaram a dor de quem mais sofre. Aí o juiz olha e diz: sem base. Aí o povo fica sabendo que o susto era de mentira. Lógico, né?
Se a campanha acreditava, errou. Se não acreditava, enganou. Nos dois casos, a conta chega pro povo.
EM CIMA DA MESA
Pra Janja: de onde saiu a certeza de que ele “vai acabar” com o Farmácia Popular?
Pro Lula: o senhor vai recorrer, ou vai explicar pro eleitor por que o plano dele diz uma coisa e o seu vídeo diz outra?
Quem vende medo na campanha fica sem argumento quando o juiz manda apagar.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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