41 assinaturas, 6 meses na gaveta e 1 decisão no mesmo dia do sorteio. A CPI que ia olhar pro Supremo foi barrada pelo Supremo.
Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Terça-feira, 22 de setembro. O processo cai no sorteio do STF e o relator é Cristiano Zanin. No mesmo dia, antes de a tinta secar, vem a decisão: liminar negada. A CPI do Banco Master continua trancada no Senado.
Zanin é aquele que foi advogado de Lula na Lava Jato e depois ganhou do próprio cliente uma cadeira vitalícia no Supremo. A partir daqui ele é o Advogado de Toga.
E o que essa CPI queria investigar? As relações de 2 ministros do Supremo com Daniel Vorcaro. Um deles é Alexandre de Moraes, que a partir daqui é o Xerife.
O advogado de Lula segurou a porta. Do outro lado da porta estava o Xerife. Aliança eterna não precisa de contrato. Precisa de gaveta.
A GAVETA DE 6 MESES
O senador Alessandro Vieira protocolou o pedido de CPI em 9 de março. Juntou 41 assinaturas, quando o mínimo da Constituição é 27. O pedido tem fato determinado e prazo de 120 dias. Estava tudo no lugar.
Faltava só um homem ler o papel no plenário: Davi Alcolumbre, presidente do Senado. A partir daqui ele é o Porteiro.
O Porteiro não leu. São quase 6 meses com o status de "aguardando encaminhamento". O senador foi ao Supremo pedir que mandassem o Porteiro abrir a porta. E o Supremo mandou o Advogado de Toga.
QUANDO ERA PRA INVESTIGAR O OUTRO LADO
Agora olha o detalhe.
Abril de 2021: o STF manda o Senado instalar a CPI da Covid. O alvo era o governo Bolsonaro. O Senado cumpriu.
9 de março de 2026: é protocolada a CPI do Master. Os alvos agora são ministros do Supremo.
22 de setembro de 2026: o STF diz que "não ficou comprovada" a omissão do Porteiro.
É a mesma Constituição, a mesma Casa e o mesmo instrumento. Só muda quem senta no banco dos investigados. Quando o investigado era Bolsonaro, a porta abriu por ordem judicial. Quando o investigado veste toga, a porta precisa de "prova pré-constituída e inequívoca".
O QUE TEM DENTRO DA SALA
E por que essa porta pesa tanto?
Porque no requerimento está o contrato do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do Xerife: R$ 3,6 milhões por mês a partir de janeiro de 2024. Por mês.
Também está a participação de Dias Toffoli num resort ligado ao grupo de Vorcaro, o Tayayá. A partir daqui Toffoli é o Hóspede do Resort.
É isso que a CPI ia abrir, e é isso que continua fechado.
AGORA APAGA A LUZ E OLHA O TABULEIRO
Você acha que o problema é o Zanin. O problema é muito maior.
Lula indicou o Advogado de Toga. O Xerife é o ministro que a esquerda aplaude de pé toda vez que ele mira a direita. O Hóspede do Resort chegou ao Supremo pelas mãos do PT. E o Porteiro senta em cima do papel.
Ninguém precisa combinar nada. Cada um faz a sua parte, e o resultado sai igual.
No Supremo, ministro não julga ministro. Protege.
O FREIO DA CASA
O Advogado de Toga escreveu "indefiro, por ora". O Porteiro vai ser notificado para dar explicações, e a liminar pode ser analisada de novo. Zanin também apontou que existe um requerimento anterior de CPI, mais amplo. A Caravana do NogNews vai ficar sentada na porta esperando a resposta, porque "por ora", em Brasília, costuma durar até a eleição passar.
E VOCÊ COM ISSO?
O Master quebrou. Quando banco quebra, a conta muda de endereço e vai parar na tarifa, no juro e no cartão de quem nunca foi hóspede de resort nenhum.
E quando você quer saber quem ajudou o banqueiro, a resposta é que o assunto está "aguardando encaminhamento".
EM CIMA DA MESA
Ao Advogado de Toga: na CPI da Covid a omissão estava provada e na CPI do Master não está. O que mudou, a lei ou o investigado?
Ao Xerife: R$ 3,6 milhões por mês é honorário de quê?
Ao Hóspede do Resort: qual é a sua relação com o Tayayá?
Ao Porteiro: 41 senadores assinaram. Quantos meses mais o papel vai dormir na sua gaveta?
A aliança é eterna porque ninguém ali está dentro da lei. Todo mundo ali está acima dela.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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