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A HIPOCRISIA DO STF

Em 2024, o Supremo derrubou o aumento de benefícios que Bolsonaro deu em 2022 porque tinha saído a menos de três meses da eleição. Em 2026, o governo Lula anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família a 17 dias da urna. E o Tribunal do Calendário, por enquanto, só observa.

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A HIPOCRISIA DO STF
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Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.

Quinta-feira, 17 de setembro de 2026. Faltam 17 dias para o primeiro turno.

O governo do Homem do Chapéu anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família. O piso sobe de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio vai de cerca de R$ 675 para R$ 777. O dinheiro novo cai na conta em outubro. Mês de eleição.

Agora volta dois anos na fita.

1º de agosto de 2024. O Supremo declara inconstitucional parte da PEC que permitiu a Bolsonaro furar o teto e ampliar benefícios sociais antes da eleição de 2022. Placar: 8 a 2.

O argumento da maioria: distribuir benefício de graça em ano de eleição fere a igualdade de oportunidades entre os candidatos.

Guarda esse argumento. Ele vai voltar.

A ESCADA

Julho de 2022: o Congresso aprova a PEC que vira a Emenda 123, decreta estado de emergência por causa da alta dos combustíveis e libera a ampliação dos programas sociais. O Auxílio Brasil sobe de R$ 400 para R$ 600. O Vale-Gás aumenta. Nascem os auxílios para caminhoneiros e taxistas.

18 de julho de 2022: o Partido Novo entra com a ADI 7.212. O Supremo não julga a liminar e deixa o caso para o mérito.

2 de outubro de 2022: eleição. Bolsonaro perde.

1º de agosto de 2024: dois anos depois, o Supremo derruba os trechos e decide que ninguém precisa devolver o dinheiro. A decisão chega quando a eleição já tinha acabado e os benefícios já tinham sido pagos.

17 de setembro de 2026: reajuste de 15% no Bolsa Família, 17 dias antes da urna.

ADIVINHA QUEM ESCREVEU O VOTO

O voto que venceu em 2024 foi do Ex-Sócio. Ele mesmo, Gilmar Mendes, o personagem dos dois últimos capítulos deste folhetim.

E o critério que ele usou foi o calendário: considerou a emenda inconstitucional por ter sido aprovada somente dois meses antes da eleição.

Dois meses era golpe contra a igualdade. E 17 dias é o quê, excelência?

O FREIO QUE O GOVERNO PUXA

O governo diz que não é criação de benefício. Diz que é recomposição da inflação, prevista nas regras do próprio programa, feita por decreto. E, de fato, a Lei das Eleições libera programas sociais autorizados em lei e já em execução.

Então tudo resolvido? Não.

Porque em 2024 o Supremo não julgou só a papelada. Julgou o relógio. Julgou o efeito no eleitor. Julgou a vantagem de quem tem a caneta.

E o relógio de 2026 está mais apertado que o de 2022.

A desculpa muda. O calendário não.

O QUE NINGUÉM ESTÁ VENDO

Agora olha o tabuleiro, porque a jogada de 2024 não foi sobre 2022. Foi sobre 2026.

Uma decisão que chega dois anos atrasada, depois da derrota, sem devolver um centavo, não corrige nada. Juristas chamaram de inócua, porque os trechos derrubados eram temporários e já tinham perdido o efeito no fim de 2022.

Então, para que julgar? A própria maioria disse: para servir de referência no futuro.

O futuro chegou. É esta quinta-feira. E a espada que cortou para um lado agora está pendurada na parede.

Precedente que só vale para um lado não é precedente. É mira.

QUEM PAGA? VOCÊ.

E presta atenção: a família que recebe não é a vilã desta história. Ela precisa. Ela merece. Ela vai receber.

Quem joga com ela é o governo que segura o reajuste até a véspera. Quem finge que não vê é o tribunal que achou o relógio de 2022 imoral.

É você que paga o benefício. É você que paga a conta do decreto. E é você que assiste a um Supremo com duas réguas: uma para quem perdeu e outra para quem manda.

EM CIMA DA MESA

Ao Ex-Sócio: em 2024, dois meses antes da eleição era inconstitucional. Em 2026, 17 dias antes é o quê?

Ao Supremo: se aparecer uma ação contra o reajuste, o tribunal vai julgar antes da urna ou vai esperar mais dois anos, como em 2022?

Ao Homem do Chapéu: se era só inflação, por que o reajuste não saiu em janeiro?

Em 2022, o Supremo julgou o calendário. Em 2026, o Supremo esqueceu a folhinha.

Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.

TRIBUNAL DO LEITOR

Agora, decida você mesmo.

Depois de analisar os fatos apresentados nesta matéria, qual é o seu veredito?

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