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AGORA FAZ SENTIDO O DESESPERO DE GILMAR NA TERÇA FEIRA

Em 2017, Paulo Gonet vendeu 43% do IDP por R$ 12 milhões a Francisco Schertel Mendes, filho de Gilmar Mendes. Nove anos depois, Gonet virou procurador-geral, e Gilmar virou o seu advogado de plenário.

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AGORA FAZ SENTIDO O DESESPERO DE GILMAR NA TERÇA FEIRA
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Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.

Terça-feira, 15 de setembro. Plenário do Supremo. Na pauta, o caso Master e as mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro e atribuídas a Alexandre de Moraes. 

André Mendonça se dirige ao procurador-geral da República. E Gilmar Mendes explode.

Interrompe o colega e grita: "É impressionante a desfaçatez desse sujeito!" Chama a fala de leviandade e diz que Mendonça estaria movido por um "sentimento policialesco". 

O país assistiu e se perguntou: por que tanto calor para defender um procurador?

A resposta chegou dois dias depois. E tem valor de escritura: R$ 12 milhões.

A partir daqui, Gilmar é O EX-SÓCIO. Gonet é O VENDEDOR. E o filho é O COMPRADOR.

A ESCADA

1998: o Ex-Sócio, o Vendedor e o ex-PGR Inocêncio Mártires Coelho fundam juntos o IDP, o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa.

2017: o Vendedor passa 43% do instituto ao Comprador, filho do Ex-Sócio. Preço: R$ 12 milhões, segundo a Folha. Sai do quadro societário, mas continua ligado ao IDP como professor.

2023: Lula indica o Vendedor para comandar a Procuradoria-Geral da República.

Terça, 15 de setembro de 2026: o nome do Vendedor aparece no caso Master. Ele é citado por terceiros em relatório da Polícia Federal. Pede a palavra no plenário, nega proximidade com Vorcaro e diz que esteve com o banqueiro uma única vez. O Ex-Sócio parte para cima de Mendonça. 

Quinta, 17 de setembro: o Ex-Sócio volta ao ataque nas redes e chama Mendonça de "boneco de campanha, um pixuleco eleitoral". No fim do texto, oferece ao Vendedor "minha integral solidariedade". 

No mesmo dia, a venda de 2017 volta à superfície.

O DECANO NÃO ESTAVA DEFENDENDO UMA INSTITUIÇÃO. ESTAVA DEFENDENDO UM EX-SÓCIO.

Não há prova de ilegalidade na venda, que aconteceu anos antes da PGR, e o próprio relator reconheceu que não havia elemento apontando ilícito do procurador-geral. Mas a pergunta não é se a venda foi legal. A pergunta é outra.

Quem grita em plenário para proteger o homem que vendeu um pedaço de empresa para o próprio filho está julgando ou está retribuindo?

Juiz que defende o sócio não é juiz. É parte.

O QUE NINGUÉM ESTÁ VENDO

Agora olha o tabuleiro, porque o grito de terça não foi o lance. Foi a cortina.

O IDP não é uma escola qualquer. É o endereço onde se encontram ministro, procurador, advogado, político e empresário. Quem senta ali como professor, palestrante ou aluno de pós, cedo ou tarde senta em frente a quem vai julgá-lo.

E a semana que vem é decisiva. O ministro Fachin marcou para quarta, 23 de setembro, a sessão que analisa as acusações contra Mendonça pela atuação no caso Master. O Ministério Público Federal marcou para 25 de setembro a análise das mensagens que apontariam ligação entre o Vendedor e Vorcaro. 

Repara na ordem. Primeiro se desmoraliza quem investiga. Depois se analisa o que foi investigado. Quando o relatório chegar, o investigador já vai estar com o apelido de pixuleco colado na testa.

Não é briga de temperamento. É blindagem.

QUEM PAGA ESSE CONDOMÍNIO? VOCÊ.

É você que não tem sócio no Supremo. É você que não vende 43% de nada ao filho de quem vai julgar o seu processo. É você que responde sozinho quando o seu nome aparece em relatório da polícia.

Para você, a lei. Para eles, o condomínio.

EM CIMA DA MESA

Ao Ex-Sócio: entre o grito de terça e a solidariedade de quinta, o senhor avisou ao plenário e ao país que foi sócio do homem que estava defendendo?

Ao Vendedor: o procurador-geral que vai decidir sobre o caso Master vendeu R$ 12 milhões em cotas ao filho de um ministro que vai julgar o caso Master. O senhor não vê conflito nisso?

Ao Comprador: de onde vieram os R$ 12 milhões?

Em Brasília, a toga não protege a lei. Protege a sociedade. E a sociedade tem CNPJ.

Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.

TRIBUNAL DO LEITOR

Agora, decida você mesmo.

Depois de analisar os fatos apresentados nesta matéria, qual é o seu veredito?

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