Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.
Quinta-feira, 17 de setembro. Minas Gerais. Microfone ligado, plateia montada, câmera apontada.
Lula sobe no palanque e promete que o SUS poderá oferecer de graça as chamadas canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade, com orientação médica, inclusive para quem está na fila da cirurgia bariátrica.
Quando começa a valer? Ele não disse.
Promessa sem data. Cheque sem fundo com o carimbo do SUS.
Do nome próprio a gente passa para o que a foto mostra. O HOMEM DO CHAPÉU, com as duas mãos segurando a aba, como quem sente o vento mudar.
A ESCADA DE UM DIA SÓ
Quinta, 17: saem quatro pesquisas. AtlasIntel, PoderData, Futura e Gerp. Nas quatro, o 01 aparece numericamente na frente no segundo turno.
Quinta, 17: o Homem do Chapéu anuncia reajuste de 15,04% no Bolsa Família.
Quinta, 17: em Minas, promete caneta emagrecedora de graça.
Três fatos. Um dia. Dezessete dias antes da urna.
Uma coincidência pode acontecer. Três na mesma quinta-feira pedem explicação.
A FILA QUE ELE LEMBROU AGORA
Obesidade é doença, o tratamento existe e tem gente que precisa dele. Justamente por isso a pergunta dói mais: onde estava essa preocupação em 2023? E em 2024? E em 2025?
A fila da bariátrica não nasceu na quinta-feira. O paciente que espera não começou a esperar agora. Ele espera há anos. Espera a consulta, espera o exame, espera a cirurgia. Espera, agoniza, desiste.
Aí chega setembro de ano eleitoral. Aí aparece a caneta. Aí aparece o reajuste. Aí o governo descobre que você existe.
Quatro anos de caneta na mão do presidente. Dezessete dias de caneta na mão do eleitor.
O QUE NINGUÉM ESTÁ VENDO
Agora olha o tabuleiro com calma, porque a caneta não é a notícia. A notícia é o relógio.
Na quinta de manhã, quatro termômetros marcaram febre. Na quinta à tarde, o paciente foi à farmácia.
Quem está confortável nas pesquisas não precisa inventar promessa sem data a duas semanas da eleição. Quem está confortável passa o dia defendendo o que fez. Quem corre para prometer o que não fez já leu o resultado e não gostou.
Tem mais. Promessa sem prazo não custa nada hoje. Se ele ganhar, o prazo vira "estudo técnico". Se perder, vira a culpa de quem entrar. Nos dois casos, o anúncio já cumpriu a função, que era ocupar a manchete no dia em que a manchete era o 01 na frente.
Não é política de saúde. É política de sobrevivência.
QUEM PAGA A CANETA? VOCÊ.
É você que paga o remédio caro que ele promete de graça. É você que paga o reajuste anunciado no palanque. É você que vai continuar na fila do posto na segunda-feira, depois que o palanque for desmontado.
De graça, no Brasil, só a promessa. A conta sempre chega.
EM CIMA DA MESA
Ao Homem do Chapéu: a lei eleitoral proíbe distribuir bens de graça em ano de eleição, com exceção de programas que já estavam em execução. A caneta no SUS é programa antigo ou é anúncio de palanque? E se é para valer, qual a data, qual o orçamento e quem vai assinar?
Ao Ministério da Saúde: quantas pessoas estão hoje na fila da bariátrica no SUS, e por que ninguém falou delas antes de setembro?
Governo que promete na véspera não está governando. Está implorando.
Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.


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