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LULA ESTÁ DESESPERADO

No mesmo dia em que quatro pesquisas o colocaram atrás de Flávio Bolsonaro, o presidente foi a Minas Gerais prometer caneta emagrecedora de graça no SUS e anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família. Faltam 17 dias para a eleição.

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LULA ESTÁ DESESPERADO
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Bom dia, boa noite ou boa sorte, dependendo do estrago que a esquerda fez hoje.

Quinta-feira, 17 de setembro. Minas Gerais. Microfone ligado, plateia montada, câmera apontada.

Lula sobe no palanque e promete que o SUS poderá oferecer de graça as chamadas canetas emagrecedoras para pacientes com obesidade, com orientação médica, inclusive para quem está na fila da cirurgia bariátrica.

Quando começa a valer? Ele não disse.

Promessa sem data. Cheque sem fundo com o carimbo do SUS.

Do nome próprio a gente passa para o que a foto mostra. O HOMEM DO CHAPÉU, com as duas mãos segurando a aba, como quem sente o vento mudar.

A ESCADA DE UM DIA SÓ

Quinta, 17: saem quatro pesquisas. AtlasIntel, PoderData, Futura e Gerp. Nas quatro, o 01 aparece numericamente na frente no segundo turno.

Quinta, 17: o Homem do Chapéu anuncia reajuste de 15,04% no Bolsa Família.

Quinta, 17: em Minas, promete caneta emagrecedora de graça.

Três fatos. Um dia. Dezessete dias antes da urna.

Uma coincidência pode acontecer. Três na mesma quinta-feira pedem explicação.

A FILA QUE ELE LEMBROU AGORA

Obesidade é doença, o tratamento existe e tem gente que precisa dele. Justamente por isso a pergunta dói mais: onde estava essa preocupação em 2023? E em 2024? E em 2025?

A fila da bariátrica não nasceu na quinta-feira. O paciente que espera não começou a esperar agora. Ele espera há anos. Espera a consulta, espera o exame, espera a cirurgia. Espera, agoniza, desiste.

Aí chega setembro de ano eleitoral. Aí aparece a caneta. Aí aparece o reajuste. Aí o governo descobre que você existe.

Quatro anos de caneta na mão do presidente. Dezessete dias de caneta na mão do eleitor.

O QUE NINGUÉM ESTÁ VENDO

Agora olha o tabuleiro com calma, porque a caneta não é a notícia. A notícia é o relógio.

Na quinta de manhã, quatro termômetros marcaram febre. Na quinta à tarde, o paciente foi à farmácia.

Quem está confortável nas pesquisas não precisa inventar promessa sem data a duas semanas da eleição. Quem está confortável passa o dia defendendo o que fez. Quem corre para prometer o que não fez já leu o resultado e não gostou.

Tem mais. Promessa sem prazo não custa nada hoje. Se ele ganhar, o prazo vira "estudo técnico". Se perder, vira a culpa de quem entrar. Nos dois casos, o anúncio já cumpriu a função, que era ocupar a manchete no dia em que a manchete era o 01 na frente.

Não é política de saúde. É política de sobrevivência.

QUEM PAGA A CANETA? VOCÊ.

É você que paga o remédio caro que ele promete de graça. É você que paga o reajuste anunciado no palanque. É você que vai continuar na fila do posto na segunda-feira, depois que o palanque for desmontado.

De graça, no Brasil, só a promessa. A conta sempre chega.

EM CIMA DA MESA

Ao Homem do Chapéu: a lei eleitoral proíbe distribuir bens de graça em ano de eleição, com exceção de programas que já estavam em execução. A caneta no SUS é programa antigo ou é anúncio de palanque? E se é para valer, qual a data, qual o orçamento e quem vai assinar?

Ao Ministério da Saúde: quantas pessoas estão hoje na fila da bariátrica no SUS, e por que ninguém falou delas antes de setembro?

Governo que promete na véspera não está governando. Está implorando.

Eu sou Rogério Nogueira. E esse foi mais um fatídico NogNews.

TRIBUNAL DO LEITOR

Agora, decida você mesmo.

Depois de analisar os fatos apresentados nesta matéria, qual é o seu veredito?

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